Em São Paulo, com A Descoberta do frioo término de junho, chega o frio. É o inverno. Já era de se esperar. As pessoas começam a vestir roupas, sobre roupas, umas escuras e outras escuríssimas. Tentativa de imitar a península asiática? Com certeza. Falta de criatividade? Pode ser.

Mas criatividade não faltou a Oswaldo de Camargo que beneditinamente trouxe à baila, tal ‘frialgia’ em seu livro: ‘A descoberta do frio’. Autor de uma maestria e criatividade ímpar, que foi me guiando pela Praça Lundaré onde os poetas se encontravam e depararam-se com o frio que arrebatara o malunguinho Josué. Mas esse frio é diferente. Diferente daquele que acomete a todos. Lá, só parava no corpo dos pretos e o que é pior, em pleno verão. O sujeito se tremia, se batia e o frio não saia. De repente, ele sumia. Sumia e ninguém mais via!

E tinham aqueles que não acreditavam na existência do frio. A não ser quem sentiu. Ou quem percebeu que aquele tenebroso frio só acometia parte da população. Médicos riam, autoridades demonstravam o interesse despreocupado de sempre e a polícia vinha fazendo o seu papel como era de se esperar (aqui, a interpretação é minha).

Perto do fim da leitura, baixou em mim a tensão. Tive uma febre monumental. Será que era o frio Oswaldiano saltando as páginas e fazendo mais uma vítima na vida real? Achei que não. Tomei remédio e não passou, tive que me afastar das funções laborais e mais remédio. Nada daquele frio surdo passar. Durante o dia ainda, o corpo não aguentou e cai no sono. Logo vem o sonho com Laudino, Zé Estevão, Carol, o Bispo de Maralinga, todos reunidos na Toca das Ocaias. Acordo assustado e com frio. Vou pegar o friorento livro para terminar a leitura. Num passe de mágica, volto a temperatura normal e aquela coisa me deixa.

E a pergunta que não sai da cabeça. Por queA descoberta do frio não esteve relacionado como uma das leituras na época em que prestei o vestibular? Hoje, só vislumbro uma resposta. Deve ser o frio, deve ser o frio…

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