Akin Kundelea

IKA-01(1)

Akin Kundelea por Rodrigo Candido.

Meu nome é Akin Kuendelea. Mas pode me chamar de Akin Delea. Meu nome significa o “Guerreiro Persistente”. E é isso mesmo. Vou explicar: Eu já nasci três vezes. Não acredita? Então, preste atenção.

Na primeira vez que cheguei aqui, dei de cara com um moço que não me deixou cair numa piscina que tava com a água muito suja (podem ler privada). Ainda bem! Ele me pegou e vi uma moça que conversava comigo quando ainda estava dentro da barriga. Mas acho que eu ainda num tava muito preparado. Alguma coisa estranha aconteceu e eu tive que voltar para onde estava antes de chegar na barriga dela.

Na segunda, eu tava sentindo que ia sair numa boa, mas saí mais uma vez antes da hora. Dei de cara com aquela moça de novo e cheguei a conclusão que ela era a mamãe. Quem estava lá era uma senhora que devia ser a mãe da mamãe, minha avó. Que vontade de brincar com ela! O moço que eu vi da outra vez e que devia ser o papai, não estava. Mas eu saí muito novinho de novo e tive que voltar ‘praquele’ lugar chato mais uma vez.

Agora, num tem prá ninguém! Já esperei muito e tive que dar a vez para umas outras pessoinhas virem no meu lugar. Resolvi mudar a estratégia e ao invés de sair da barriga da mamãe, segui uns conselhos que me deram.

Foi assim:  um moço conhecido do papai, tava fazendo uns desenhos pra ele. Ele tava meio sem inspiração, meio entediado e de repente, sem conseguir fazer com que as ideias evoluíssem, começou a rabiscar umas bolinhas numa folha de papel. E ele ficava falando vem Akin, vem Akin. Eu tava adormecido, mas ao me evocar, percebi que ainda dava pra tentar mais uma vez. Abri os olhos, vi a claridade que passava pelos buraquinho que fazia no papel, escolhi uma qualquer e não conversei. Me espreguicei e pulei.

Dei de cara com um moço que não era o papai. Ele ficou me olhando, meio surpreso, coçou os olhos, ficou ali me espreitando sem acreditar no que via. Não conseguia compreender que eu estava ali estático naquela folha, ligou para alguém, contou o que havia acontecido e eu ali parado, olhando pra ele, sem movimento qualquer. Quando começou a me descrever para a pessoa do outro lado, que falou alguma coisa que o fez perder parte do espanto com a obra recém forjada. Aí, ele foi me pintando com um pincel, foi me dando algumas formas, fez cosquinhas e conforme eu ia me tornando o que vocês estão vendo, foi relaxando. Até que me prensou numa máquina que lançou uma luzinha na minha cara e eu fui parar dentro de um computador, na tela, ele fez alguma mágica que apertou uma tecla e prum…

Passei por num monte de fios e fui parar numa tela que me fez dar de cara com aquele moço que eu tinha visto da primeira vez, quando vim pra cá. Num dava pra me mexer, mas eu via tudo. Olha como ele tá diferente! Num tá barbudo e os dreads tão bem maiores! E olha aquelas duas pequenininhas ali no chão brincando. Quem são elas? Ah, devem ser as que vieram depois de mim. Ah, no sofá tá a mamãe, eu lembro dela. Olha como ela tá bonitona!

Essa foi a história de como cheguei a esse mundo. Agora, tô sentindo que eu vim pra ficar. Tenho dois pais, uma mãe e duas irmãzinhas. E a minha função aqui, não sei bem ao certo, mas eu acho que vai ser a de te guiar nas coisas que a mamãe e o papai leem pra mim antes de mimi. Me aguardem.

 

 

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About the author

Léo O'Bento é educador, produtor cultural e ultimamente tem a estranha mania de transformar sonhos em realidades.

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