Author Archives: Léo O'Bento

100 MENINOS NEGROS EM LIVROS INFANTIS

 

 

Para além da imagem consolidada que não existem livros infantis com personagens negros, estamos levantando mais de 100 obras. Sabemos que ainda são poucas, mas existem. Está sendo um trabalho minucioso, pois nosso interesse é apresentar para você material de qualidade que possa contribuir de forma construtiva para o aprendizado de nossas crianças. Toda semana iremos postar 5 títulos novos. Nos acompanhe!

1) O MENINO, A GOIABEIRA E A PORTA BANDEIRA

Narra a história de Júnior e Suelen, ambos moradores da Comunidade Renascer, local que tem um visual muito bonito de onde pode-se ver o mar com todo o seu esplendor. Ele é intérprete e ela porta-bandeira mirins da Escola de Samba que carrega o nome da comunidade. Ele é um menino muito criativo que vive versando sobre tudo o que acontece ao seu redor. Aos pés da goiabeira, os amigos se deliciam com seus frutos e Júnior faz suas rimas encantando Suelen, ao falar das primeiras gerações que ergueram a comunidade e semearam as plantas que hoje os alimenta. 100 meninos negros em livros infantis

Indicamos para: leitores em formação, leituras mediadas e para quem se interessa por samba.

Onde encontrar: Iná Livros

2) PEDRO NOITE

Pedro é um menino que não entende a sua negritude. Ele não entende porque é diferente da sua família e porque os outros meninos o tratam mal por causa da sua cor de pele. Sua avó, uma mulher branca, pouco o ajuda a entender sua ancestralidade. Pedro só passa a entender melhor sua negritude e seus sentimentos a partir da conversa com Juvenal, um velho senhor negro. Pedro Noite fala de um menino que tem sua história atravessada por imagens que não o retratam, e por uma conexão ancestral que ele precisa resgatar. 100 meninos negros em livros infnatis

Indicamos para: leitores em processo e leituras mediadas.

Onde encontrar: Iná Livros

3) DO QUE SÃO FEITOS OS HERÓIS

Narra a história de João, jovem adolescente que possuía 2 irmãos gêmeos, e que cuidava deles enquanto os pais estavam no trabalho. Para agravar sua situação, a família recebeu mais um morador, seu avô materno. Com ele aprende a lidar de forma inteligente com as situações de racismo pelas quais passou no ambiente escolar e amplia sua autoestima. 100 meninos negros em livros infantis

Indicamos para: leitores em processo e leituras mediadas.

 

4) MIZU E AS ESTRELAS

Em uma aldeia do Zimbábue, o garoto Mizu aprendeu sobre a força da amizade e sobre o amor maior, aquele que nos faz imensos como o firmamento do céu e transforma a vida em uma fantástica história que merece ser contada. 100 meninos negros em livros infantis

Indicamos para: leitores em formação, leituras mediadas

 

5) OBÁ NIJÔ

 Obá Nijó é o rei que dança em Yorubá. Segundo a tradição africana o rei precisa saber dançar, pois assim o admiram e torna-se mais fácil exercer a liderança. E com a liderança de Obá Nijó, quilombos foram organizados em Itapuã, na Bahia. 1) O Mercado está em festa com o anúncio do nascimento do rei – No mercado conhecido como Ojá todos comentavam o nascimento do filho de Ologbom e Ayó, Obá Nijó era seu nome. Foi saudado pelo babalorixá e pelo contador de histórias. E desde cedo sabia que seu destino era proteger o seu povo. 2) OKUN ODO dançando com as Iyás Agbás, as mães ancestrais – Na praia acompanhava seu pai e outros pescadores. Ajudava a puxar e a costurar a rede. E assim como os outros cantava para as mães ancestrais. Um dia ouviu uma voz doce chamar pelo seu nome e teve certeza que era Iemanjá e para ela pôs-se a cantar. Também no rio quando foi se banhar com os amigos ouviu Oxum a lhe chamar. 3) IGBO dançando com a floresta – Na floresta Obá Nijó entra para buscar material e construir um berimbau. Lá se depara com Agemó, um camaleão que o ensina várias coisas, além de apresentar Ossaim e Oxóssi. 4) A dança pela liberdade – Depois de um episódio de injustiça Obá Nijó reúne outras pessoas que estavam na condição de escravos e organiza uma rebelião, ao mesmo tempo que encaminha seu povo para um quilombo, onde há a esperança de liberdade.

Indicamos para: leitores em processo e leituras mediadas.

Onde encontrar: Iná Livros

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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15 Mantras diários DE CHIMAMANDA

No livro Para educar crianças feministas que é a versão de uma carta escrita por Chimamanda para uma amiga, você encontra suas sugestões com alguns pontos para criar sua filha. Meu encanto, ao ler o livro, foi muito grande e como se estivesse falando com minhas filhas, decidi reunir algumas passagens que mais tarde, elas poderão recitar diariamente. Fazendo isso, tenho certeza que você terá mais segurança, irá ampliar sua autoestima e terá dias mais felizes, seguem:

MANTRA 1 – (…) seja boa com você mesma. Peça ajuda. Espere ajuda. Isso de Supermulher não existe. Criar os filhos é questão de prática – e de amor. (…) permita-se falhar. p.20

MANTRA 2 – Façam juntos. Lembra que aprendemos no primário que verbos são palavras “de ação”? Bom, pai é verbo tanto quanto mãe. p.18 15 mantras diários de chimamanda

MANTRA 3 – Ensine a ela que ‘papéis de gênero’ são totalmente absurdos. Nunca lhe diga para fazer ou deixar de fazer alguma coisa ‘porque você é menina’. p. 21 15 mantras diários de chimamanda

MANTRA 4 – Ou você acredita na plena igualdade entre homens e mulheres, ou não. (…) A base para o bem-estar de uma mulher não pode se resumir à condescendência masculina. p. 29

MANTRA 5 – Ensine a uma menina o gosto pelos livros. A melhor maneira é pelo exemplo informal. Se ela vê você lendo, vai entender que a leitura tem valor. p. 34

MANTRA 6 -A linguagem é o repositório de nossos preconceitos, de nossas crenças, de nossos pressupostos. Mas, para lhe ensinar isso, você terá de questionar sua própria linguagem. p. 35

MANTRA 7 – Não fale de casamento como uma realização. Um casamento pode ser feliz ou infeliz, mas não é realização. p.40 15 mantras diários de chimamanda

MANTRA 8 – Não se preocupe em agradar. A questão não é se fazer agradável, a questão é ser você mesma, em sua plena personalidade, honesta e consciente da igualdade humana das outras pessoas. p.48

MANTRA 9 – Sinta orgulho da história dos africanos e da diáspora negra. Encontre heróis e heroínas negras na história. Existem. p.29

MANTRA 10 – Pratique esportes. Seja ativa. (…) estudos mostram que as meninas geralmente param de praticar esportes ao chegar à puberdade. Não surpreende. O desenvolvimento dos seios e a percepção de si mesmas podem atrapalhar a prática de esportes(…). p.54/55

MANTRA 11 – Questione o uso seletivo da biologia como ‘razão’ para normas sociais(…). p.61

MANTRA 12 – Converse sobre sexo com sua  filha. É necessário p. 35

MANTRA 13 – O amor é a coisa mais importante na vida (e deve ser recíproco). p.35

MANTRA 14 – Não converta os oprimidos em santos. A santidade não é pré-requisito da dignidade. Pessoas que são más e desonestas continuam seres humanos e continuam a merecer dignidade. p.74

MANTRA 15 – Nunca universalize seus critérios ou experiências pessoais. (…) seus critérios valem apenas para você e não para as outras pessoas. Esta é a única forma necessária de humildade: a percepção de que a diferença é normal. p. 77

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InaLivros indica: A triste história de Barcolino

Levei mais tempo do que podia para ler esse livro. Mas independente disso, saiba que gostei muito. Logo de cara, Lucílio Manjate autor moçambicano, apresenta Barcolino como ‘homem mais do mar que da terra’. Fui induzido a pensar que o fato de ser pescador teria possibilitado essa situação. Aí, fui entrando na história e percebi que ser pescador era mero detalhe para essa condição e que a sua vida ou a falta dela, atraia turistas curiosos de muitos lugares para acompanhar o inusitado acontecimento que já será relatado.

A madrugada acorda e Barcolino reaparece após longo tempo sem dar as caras. O secretário dos Bairro do Pescadores, onde é narrada a história, insistia em dizer que tudo isso não passava de um mito. E com isso, tentava persuadir a população do bairro. Os moradores ignoravam o secretário, até porque ouviam a cantoria de Barcolino vinda do mar. E todas as vezes que aparecia, eles queriam matá-lo. A triste história de barcolino

Com a sua chegada, os moradores do bairro colocaram próximo ao mar os velhos, pensando que assim Barcolino pudesse poupar a vida das crianças. Mas foi no bar que ele reapareceu. Logo, o recinto ficou cheio de curiosos e não tardou para Dona Cantarina, sua esposa, chegar e o bombardear com uma série de perguntas. No diálogo entre eles, todos perceberam que a ‘coisa’ não acontecia como em um casal convencional. E o dono do bar sugeriu que  assuntos de mortos fossem tratados no cemitério.

Diante da situação, Barcolino pede a esposa que o enterre e mais uma vez o diálogo aponta uma ruga na relação dos dois. Como já era tarde e seu enterro não poderia ser realizado naquele dia por conta de dificuldades apontadas pela mulher, pois o cemitério escolhido por Barcolino estava cheio. Ele decide passar a noite na casa do afilhado que narra a história e o acolhe. a triste história de barcolino

Em casa, o afilhado temeroso entende que Barcolino faz homem maduro se recordar da infância. Mas leva um grande susto ao ver o reflexo do padrinho no espelho. É difícil, para mim leitor, relatar o que li. Ele se sentiu perturbado com a situação e resolveu que seria melhor ir dormir.

Pela manhã Dona Cantarina chega a porta da casa para levar o seu morto e acabar com aquela situação que se repetia há algum tempo. Queria enterrar seu marido, mas não o encontrou na casa do afilhado. O bairro foi acordado pelos dois. O danado havia sumido, mas as pessoas que estavam na praia gritavam para que todos vissem a fartura de peixes que vinham das barcas que chegavam do mar. Enquanto os cardumes eram desembarcados, uma mãe chorava a perda do filho recém-nascido. E os meses de inverno eram sempre tristes assim, Barcolino aparecia, o peixe chegava em abundância e uma criança partia. a triste história de barcolino

Para saber mais sobre essa história de ‘bela tristeza’ que não para aqui é preciso recorrer ao livro. Para comprar clique aqui ou na imagem abaixo:


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Campanha Lê pro Erê

Se todo adulto tivesse um tempinho para contar uma história, declamar um poema ou até mesmo ler um livro para uma criança, a humanidade poderia sonhar com um futuro bem melhor. Não existe uma idade mais adequada para fazer uso de livros e iniciar uma amizade duradoura com as letras. Mas nós, e muitos especialistas, acreditamos que quanto mais cedo isso acontecer, maiores serão as possibilidades de ampliar o conhecimento sobre o universo fantástico das letras e do mundo.

A partir dessa nossa crença na leitura, criamos a campanha: Lê Pro Erê. Pretendemos apresentar ao público leitor e aos potenciais leitores a importância de ler e, além disso, a importância de ler para uma criança como uma forma de inspiração e espelho.  Campanha lê pro erê

Estamos apresentando fotos de mães, pais e todas as pessoas que estimulam a imaginação das crianças através da leitura, demonstrando que essa prática pode ser iniciada desde cedo. Se você lê para crianças e gostou da ideia, participe! Responda uma breve pesquisa, anexe sua foto lendo para uma criança e nos autorize a divulgar sua imagem em nossas redes sociais e em nosso site.

Todas as pessoas que responderem ao questionário e nos enviar uma foto lendo para uma ou mais crianças, estarão concorrendo ao SORTEIO de um kit de livros infantis que serão escolhidos pela equipe da InaLivros de acordo com o nosso acervo. A pesquisa estará aberta até o dia 05 de novembro e o sorteio será divulgado no dia seguinte, 06 de novembro de 2017 em nossa página do Facebook. Entraremos em contato para solicitar informações para envio do kit.  Para participar do sorteio é necessário residir no Brasil. Agradecemos por ler e incentivar a leitura. campanha lê pro erê

Clique aqui para participar do SORTEIO e da nossa CAMPANHA!

Boa sorte!

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A FLIP FICOU PRETA

a flip ficou preta lima

A Festa Literária Internacional de Paraty está na agenda cultural de muita gente, mas de muita gente mesmo. A 15º edição que homenageou Lima Barreto e foi de 26 a 30 de julho, teve outra cara em relação as anteriores, pois trouxe em sua programação oficial a diversidade segundo a curadoria – deixa eu te ajudar a entender esse termo, teve mais autoras e autores negros, contou também com o maior número de mulheres em relação ao de homens. A curiosidade é que foi o ano de menos recursos disponíveis.

A Secretaria de Turismo de Paraty, também fez coro em relação as suas estimativas que foram diminuídas, pois esperava 30 mil pessoas e acabou recepcionando 25mil.  Em contrapartida, a sensibilidade da curadora atual, permitiu que muitas pessoas tomassem coragem para pegar estradas, voos e encarar a maratona literária que até então, sempre esteve muito descolada de boa parte da população que precisa se ver representada em todas as esferas da sociedade. Digo isso, por que nunca tive interesse em me deslocar a Paraty para acompanhar debates desconectados das realidades que vivemos. E pude perceber tal situação pela quantidade de pessoas negras que conheço e que lá estavam, tantas outras que tive oportunidade de conhecer ao longo do evento e que se hospedaram em hotéis, pousadas, circularam em bares, restaurantes, compraram muitos livros e relataram ser a primeira vez na Flip. A flip ficou preta.

Aliás, a compra de livros é um assunto que não pode ser tratado como algo menor em um evento literário, embora eu ainda esteja disposto a falar de outras coisas. Mas vamos lá, a livraria oficial do evento divulgou a lista dos dez mais vendidos, desses títulos, oito foram escritos por autores negros, uma autora emplacou dois livros nos dez mais e contra dados não existem argumentos, pelo menos era assim que falavam meus mestres de métodos quantitativos. Isso me fez recordar, a carta que a professora Giovana Xavier encaminhou à curadoria da FLIP, em 2016, ressaltando a invisibilidade de autoras negras nas programações oficiais, fato que sugere facilmente uma ação racista. O curador da época, mesmo já tendo passado por uma saia justa, ao dividir mesa com a Diva – que não era a Guimarães e nem a Bento¹, mas sim, Ela – Conceição Evaristo que nomeou as outras edições da Flip de ‘arraiá da branquidade’, tentou responder à carta, argumentando que fez diversos convites para cantores negros brasileiros, para escritores negros africanos e na diáspora, sem respostas positivas.

A curadora atual, muito mais antenada com a realidade brasileira e do mundo, lançou suas lentes para outros horizontes e proporcionou encontros muito interessantes. E ainda bem que ela e sua equipe, que devem ser mágicos, conseguiram convencer muitos negros e mulheres a participar dessa edição.

Jornais de grande circulação fizeram análises sobre os diálogos da programação oficial, mas não irei me ater a eles. Falarei brevemente de uma conversa que tive rapidinha durante a travessia do canal, com Edimilson de Almeida Pereira – que era meu conhecido de redes sociais, mas já o admirava, pois conheço parte de sua obra – momentos antes de falar sobre Lima Barreto, me segredou que era muito pouco tempo para sua apresentação. Concordei com ele e também com os jornais, que além de terem mencionado essa escassez, assumiram que ele precisa ser mais conhecido pelo público geral. Quem sabe um desses feirantes, que vira e mexe estão levando brasileiros para a península asiática – mais conhecida como Europa, o leve, e assim, ele ao retornar, já desembarque no Brasil best seller, pois o reconhecimento no exterior tem sido a tônica para que bons trabalhos sejam valorizados internamente.

Para além disso tudo, saio da Flip com boas impressões. O circuito paralelo trouxe diálogos de altíssimo nível. Deixa eu falar de minhas experiências. Não foram muitas, porque estive acompanhado de minhas filhas que necessitavam de cuidados e atenção, eu e minha esposa nos dividimos ao máximo para aproveitar, mas nem tudo pôde ser acompanhado. Vou começar falando das Casas que foram utilizadas por editoras, empresas ou coletivos e que tive oportunidade de presenciar. A Casa do Papel foi um espaço onde toda a família teve experiências com formas artesanais de produção de livros. Lá, nos deparamos com profissionais que acumulam muitos conhecimentos e experiências na arte do restauro. Na Casa Publishnews, dentre muitos diálogos realizados, acompanhei curadores e organizadores de feiras e festivais literários fora do eixo Rio-São Paulo. O ambiente de troca permitiu a absorção de muitas informações que podem ser utilizadas na organização de eventos plurais. Não é para rir, mas veja minha foto na imagem de 360º que a Publishnews publicou no Facebook, clique aqui. Na Casa da Porta Amarela, várias editoras independentes dividiam um espaço caótico e ao mesmo tempo aconchegante, as atividades que rolaram, não consegui acompanhar, lá, minhas filhas só me deixaram tomar uma cerveja, a Poética, que estava muito boa – se alguém souber mais sobre a cervejaria que a fabrica, me dê mais informações. E por fim, acompanhei alguns diálogos na Casa Malê que promoveu vários encontros, lançamentos de autores de seu catálogo e recebeu nossa diretora de marketing, Lú Bento, para um bate-papo sobre literatura infantil que rendeu algumas alfinetadas. Coisa que não foi vista ao longo da programação oficial da Flip, tava todo mundo parecendo meio compadre e comadre, ou deixa que eu chuto. A flip ficou preta.

Ainda teve o espaço do outro lado do canal, onde os movimentos sociais organizados sentaram para dialogar, venderam produtos artesanais e a produção de agricultores locais. Muitos artistas se apresentaram, escritores lançaram seus livros e a chama da justiça social esteve bem acesa.

Como o trabalho também deve ser permeado por momentos de descontração, entre uma poesia e outra, nas ruas tortas de Paraty, líamos Desakato Lírico, do poeta Cizinho Afreaka, publicado pela Ciclo Contínuo, ao ouvir nossas leituras, dentro de um restaurante muito bonitinho, estava ela, nossa Musa Superior Conceição Evaristo que chegou à porta e nos disse: – ‘A Flip ficou preta’! Depois fez um convite muito cativante. Chamou para bebericar da cerveja que leva seu nome. Recebi o convite como ordem. E aí está o registro: A Flip ficou preta.

a flip ficou preta

Família InaLivros, Família Era Uma Vez o Mundo, Suzana Matos e Conceição Evaristo. A Flip ficou preta.

Depois disso tudo, para não dizerem que fiquei muito saidinho durante o evento, indico alguns livros de autores que estiveram na programação oficial, que constam no catálogo da loja virtual da InaLivros e que você não pode deixar de ler: A Flip  ficou preta.

1) Insubmissas Lágrimas de Mulheres / Conceição Evaristo A flip ficou preta

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Onde encontrar: InaLivros

2) Um Defeito de Cor / Ana Maria Gonçalves

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Onde encontrar: InaLivros

3) Livro das Falas / Edimilson de Almeida Pereira

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Onde encontrar: InaLivros

4) O Tambor Africano e Outros Contos dos Países Africanos de Língua Portuguesa / Suzana Ventura

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Onde encontrar: InaLivros

1 Diva Bento é minha tia querida que não está mais nesse plano, nos deixou fisicamente há mais ou menos uns 3 anos.

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Conceição Evaristo e suas obras

                                                                                                                                                                                                                                                            Foto: Marco Antônio Fera

Escritora de talento inegável, é mestre e doutora em Literatura. Nascida em Belo Horizonte, numa conjuntura social nada favorável, migra para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida e por lá vive desde a década de 70. Tem se dedicado a dar visibilidade para a Literatura Negra através de sua “Escrevivência”. Nos últimos anos, vem acumulando prêmios como o Jabuti na categoria Contos, em 2016, foi homenageada em fevereiro de 2017 com o Prêmio ‘Faz Diferença’ do jornal globo, na categoria prosa, dentre outros. Além disso, tem gerado desconforto em espaços, que são também lugares, de privilégio, como a Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP, lá criticou a falta de escritoras negras e negros na programação principal da Festa, que rebatizou carinhosamente de “Arraiá da Branquitude”.

Começou publicando seus poemas e contos nos Cadernos Negros que podem ser considerados mãe e pai da Literatura Negra, enquanto a imprensa negra do início do século XX, será, para nós, a vovozinha querida que abriu parte do caminho. A reunião de textos nos Cadernos tiveram e têm o objetivo de dar visibilidade a escrita de autoras e autores negros, bem como, explorar suas percepções sobre o que a população negra sente na sociedade brasileira. Para além disso, a autora resolveu investir na publicação de seus próprios livros em parceria com pequenas e médias editoras que apostaram em seu talento ficcional, que a faz por a caneta, sem pena, nas feridas das injustiças, do cotidiano violento e da pobreza que acomete a maioria da população negra brasileira.

Para você ter acesso a escrita inconfundível dessa autora que nos surpreende a cada livro publicado, iremos fazer uma breve apresentação de suas obras, segue:

1) OLHOS D’ÁGUA – Conceição Evaristo e suas obras

O olho cheio de água que compõe a capa dessa obra não anuncia o soco, o pontapé e aquela cusparada na cara que está por vir. Os textos reunidos nessa obra, outrora publicados nos Cadernos Negros, machucam e maltratam. Todavia, apresentam de forma elegante e necessária, as mazelas que muitos fingem não ver, mas que estão no cotidiano da população negra. E são as situações vividas por Ana Davenga, Duzu Querença, Natalina e tantos outros que evidenciam as injustiças em seu texto. Se assustou com a apresentação? Não se intimide, esse é um daqueles livros que precisam ser lidos e entendidos. Vamos lá, coragem!

Acompanhe:

“(…) O deputado tremia, as chaves tilintavam em suas mãos. Davenga mordeu o lábio, contendo o riso. Olhou o político bem no fundo dos olhos, mandou então que tirasse a roupa e foi recolhendo tudo.

– Não, doutor, a cueca não! Sua cueca não! Sei lá se o senhor tem alguma doença ou se tá com o cu sujo!” Pág.:25

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2) INSUBMISSAS LÁGRIMAS DE MULHERES – Conceição Evaristo

e suas obras

Insubmissas Lágrimas de Mulheres nos traz contos que são fruto de uma escuta atenta e de inventivas histórias para suprir lacunas que se confundem com injustas realidades, sentimentos  e situações do território feminino. Mais uma vez a vivência e a escrita se entrelaçam para  narrar 13 situações de 13 mulheres diferentes que trazem sua humanidade a flor da pele, assim como situações de violência, dor, esperança e superação.

Leia o trecho:

“(…) Um dia, ele me convidou para a festa de seu aniversário e dizia ter convidado outros colegas de trabalho, entre os quais, duas enfermeiras do setor. Fui. Nunca poderia imaginar o que me esperava. Ele e mais cinco homens, todos desconhecidos. Não bebo. Um guaraná me foi oferecido. Aceitei. Bastou. Cinco homens deflorando a inexperiência e a solidão de meu corpo. Diziam, entre eles, que estavam me ensinando a ser mulher”. Pág. 57/58

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3) PONCIÁ VICÊNCIO – Conceição Evaristo e suas obras

Ponciá Vicêncio foi o primeiro romance publicado por Conceição Evaristo. É uma obra que nos apresenta algumas situações que a falta de informação proporcionou à população negra que vivia na zona rural, em um período posterior ao término da escravidão. O livro conta a história da família Vicêncio, tendo Ponciá sua protagonista que teve reservada em seu destino as penúrias que a acometeram, bem como seus antepassados e sucessores. A circularidade temporal é marca profunda no enredo dos desencontros, mortes e migrações expostas no livro. Foi leitura obrigatória no vestibular da UFMG de 2007.

Acompanhe um trecho:

(…) Aprendera a ler as letras numa brincadeira com o sinhô-moço. Filho de ex-escravos, crescera na fazenda levando a mesma vida dos pais. Era pajem do sinhô-moço. Tinha a obrigação de brincar com ele. Era o cavalo onde o mocinho galopava sonhando conhecer todas as terras do pai. Tinham a mesma idade. Um dia o coronelzinho exigiu que ele abrisse a boca, pois queria mijar dentro. O pajem abriu. A urina do outro caía escorrendo quente por sua goela e pelo canto de sua boca. Sinhô-moço ria, ria. Ele chorava e não sabia o que mais lhe salgava a boca, se o gosto da urina ou se o sabor de suas lágrimas. Naquela noite teve mais ódio ainda do pai. Se eram livres, por que continuavam ali?” Pág.:17

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4) HISTÓRIAS DE LEVES ENGANOS E PARECENÇAS – Conceição Evaristo e suas obras

CONCEIÇÃO EVARISTO - HISTÓRIAS DE LEVES ENGANOS E PARECENÇAS

Se você já leu alguma obra de Conceição Evaristo e espera encontrar nesse livro aquela crítica necessária às injustiças que acometem a população negra e a contundente indiferença vivenciada a cada ato de racismo, pode trocar a lente, acalmar as expectativas, porque você está prestes a embarcar numa obra que foge desse pano de fundo. E o que iremos assistir é uma autora se permitindo ao inusitado, estranho e imprevisível.

Leia:

“(…) Na hora da comunhão, o rosto de Dóris se iluminou. Uma intensa luz amarela brilhava sobre ela. E a menina se revestiu de tamanha graça, que a Senhora lá do altar sorriu. Uma paz, nunca sentida, inundou a igreja inteira. Ruídos de água desenhavam rios caudalosos e mansos a correr pelo corredor central do templo. E a menina ao invés de rezar a Ave-Maria, oração ensaiada por tanto tempo, cantou outro cumprimento. Cantou e dançou como se tocasse suavemente as águas serenas de um rio. Alguns entenderam a nova celebração que ali aconteceu. A avó de Dóris sorria feliz. Dóris da Conceição Aparecida, cantou para nossa outra Mãe, para nossa outra Senhora”.  Pág.: 24/25

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5) BECOS DA MEMÓRIA – Conceição Evaristo e suas obras

Trata-se de um romance de 170 páginas, o primeiro da autora que ficou engavetado durante 20 anos, recebendo a luz após Ponciá Vicêncio que já foi apresentado. Diz a autora que só resolveu publicá-lo após insistentes pedidos de amigas e amigos que o leram alguns anos antes. Nesse romance, Conceição transporta para a literatura a tensão do cotidiano de quem está submetido as diversas formas de violência. Apresenta a cor da pobreza no meio urbano sem a suavidade de quem nunca sentiu o que escreve. Mostra a necessidade da cabeça erguida e o compromisso com a transformação, com a educação-conhecimento que torna o indivíduo na coletividade, capaz de acreditar em si, conhecer as injustiças causadas pelas faltas de políticas públicas que equilibrem situações de desigualdades.

Vale a pena ler, saiba por que:

“(…) Nesta época, ela iniciava seus estudos de ginásio. Lera e aprendera também o que era casa-grande. Sentiu vontade de falar à professora. Queria citar como exemplo de casa-grande, o bairro nobre vizinho e como senzala, a favela onde morava. Ia abrir a boca, olhou a turma, e a professora. Procurou mais alguém que pudesse sustentar a ideia, viu a única colega negra que tinha na classe. Olhou a menina, porém ela escutava a lição tão alheia como se o tema escravidão nada tivesse a ver com ela. Sentiu certo mal-estar. Numa turma de quarenta e cinco alunos, duas alunas negras, e, mesmo assim, tão distantes uma da outra. Fechou a boca novamente, mas o pensamento continuava. Senzala-favela, senzala-favela”!

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LIVROS INFANTIS DE LÁZARO RAMOS

LIVROS INFANTIS DE LÁZARO RAMOS - CAPA

Lázaro Ramos é um ator que assumiu notoriedade nacional encenando protagonistas em diversos filmes do cinema brasileiro. Não demorou muito para que assumisse papéis principais em novelas no horário nobre da TV. Com o tempo, iniciou o programa Espelho, onde apresenta e entrevista pessoas que se destacam na sociedade.  Mas o que poucos sabem, é que esse baiano de sorriso sincero e acolhedor, iniciou sua carreira no Bando de Teatro do Olodum, Cia que leva em seus espetáculos humor, ironia e situações vivenciadas pela população negra de forma séria. Então, o Lázaro da ribalta acostumamos a ver e simpatizar cada vez mais. E ainda há espaço para ampliar esse bom sentimento, pois a investida na literatura, principalmente a infantil, nos mostra uma pessoa sensível e cada vez mais comprometido. Conheça os  livros infantis de Lázaro Ramos:

1) A VELHA SENTADA – livros infantis de Lázaro Ramos

LIVROS INFANTIS DE LÁZARO RAMOS - VELHA SENTADA

A estreia de Lázaro Ramos foi com esse livro intantil muito simpático: “A Velha Sentada”. Nele, conhecemos a história de uma menina, chamada Edith  que tem 9 anos de idade. Ela passava mais tempo do que devia na frente das telas do computador e da televisão. Evitava ao máximo contato com qualquer pessoa. Até com sua mãe, se pudesse se escondia para não ter que mirar seus olhos redondos, como já foi dito, preferia as formas retangulares dos aparelhos eletrônicos.

Foi uma vizinha fofoqueira, fazendo um comentário malicioso sobre a menina que conseguiu despertá-la sem querer, para que tomasse a atitude de procurar a “Velha Sentada” que estaria em sua cabeça. Mas antes de iniciar a busca, esperou cerca de um mês e meio.

Quando a menina decidiu dar um basta naquela situação de apatia e desânimo, surge na história um narrador que se apresenta como: uma “personalidade fantástica, sensacional, incrível e modesta”. E que chega sempre que falta criatividade e ânimo às pessoas, ajudando-as a encontrar o que estão procurando. Essa criatura que narra a história, possui diversos nomes. Todas as vezes que é solicitado, recebe um nome de quem a chama. Dessa vez, com Edith passou a se chamar Telhado. Ficou um pouco contrariado, mas aceitou o nome e foi com ela até o lugar onde pudessem encontrar a tal Velha.

E começaram a vasculhar pelo cérebro de Edith, e ele não estava para muitos amigos. Apesar de alguns esforços, encontraram a velha ali mesmo, estava lá sentadinha num canto. Para surpresa geral, ela tinha uma veia poética e muito brincalhona.  Acabou se comprometendo a ajudar. E Edith recordou que certa vez na escola, alguns colega fizeram gozações sobre a forma como ela era, como se fosse um defeito ser de um jeito e não de outro, isso foi um dos motivos que a levaram a assumir aquele jeito apático. Ainda com auxílio da Velha, fez várias reflexões sobre sua identidade, atitudes, ideias e ideais.

Com isso, Edith toma uma decisão em sua vida. Dali em diante iria utilizar a internet e assistir a televisão com equilíbrio. Logo, passa a se relacionar consigo e com os outros de maneira diferente e percebe outro mundo a sua volta.

Indicamos esse livro para crianças já alfabetizadas e da idade de Edith, 9 anos em diante. Para os educadores, seu uso pode ser voltado para abordagem da apatia, bullying, identidade, uso excessivo da internet, eletrônicos e seus derivados.

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2) CADERNOS DE RIMAS DO JOÃO – livros infantis de Lázaro Ramos

LIVROS INFANTIS DE LÁZARO RAMOS - CADERNO DE RIMAS DO JOÃO

Nesse livro, o texto é todo ritmado, segue em forma de poesia. Adequado a linguagem infantil, com ilustrações ricas em criatividade e quem deu vida foi o ilustrador Maurício Negro com seu traço inconfundível.

Ideal para crianças alfabetizadas e com autonomia para ler. “Cadernos de Rima do João“, mais um dos livros infantis de Lázaro Ramos, irá ampliar a familiaridade com a palavra escrita e criar o hábito da leitura.

Para as crianças que estão em processo de alfabetização, é fundamental que os responsáveis leiam fazendo menção as ilustrações que dialogam com todas as poesias de cada página, educadores também podem utilizar esse recurso.

Os temas tratados são amplos, seguem diretamente ligados ao imaginário e as vivências das crianças, de forma que a curiosidade é sempre aguçada em todas as páginas. Segue uma das poesias para adoçar a boca:

PROFISSÃO

Todo mundo me pergunta

o que vou ser quando crescer.

Que insistência, coisa doida,

nem sei o que eu vou comer!

Estou pensando, escolhendo,

eu gosto de responder.

Um médico, piscineiro

ou cantor de MPB.

Não sei se imito o papai,

que é um grande professor,

ou a minha prima Célia,

que conserta até motor.

 

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4 Livros sobre samba

SAMBA.CAPA

Bom, o carnaval já chegou e eu admiro muito quem tem energia suficiente para acompanhar um bloco, sair para outro, fazer aquela brincadeira bonita e dar continuidade na folia. Ainda vou além, admiro muito quem, apesar de tudo isso, ainda consegue acordar no dia seguinte como se nada tivesse acontecido, ir ao próximo samba e se divertir mais um pouquinho.

É…estou um jovem senhor e há muito os livros me acompanham nesse período do ano. E hoje o meu samba não é como antigamente. De qualquer forma, o sábado de carnaval sempre me bastou, principalmente por conta de minhas limitações físicas de querer ficar igual morcego com síndrome de passarinho. Por isso, trago 4 livros sobre samba  para você e a criançada se deliciarem nesse carnaval.  Sei que ficou com curiosidade para saber o que é um morcego com síndrome de passarinho.  Então, leia até o final!

1) O MENINO A GOIABEIRA E A PORTA-BANDEIRA

livros sobre samba - MENINO.GOIABEIRA.

Esse é um  livro infantil de autoria de Alexandre Henderson, jornalista e apresentador de um quadro do Programa “Como Será”, que narra a história de Júnior e Suelen, ambos moradores da Comunidade Renascer, local que tem um visual muito bonito de onde pode-se ver o mar com todo o seu esplendor. Ele é intérprete e ela porta-bandeira mirins da Escola de Samba que carrega o nome da comunidade. Ele é um menino muito criativo que vive versando sobre tudo o que acontece ao seu redor.  Aos pés da goiabeira, os amigos se deliciam com seus frutos e Júnior faz suas rimas encantando Suelen ao falar das primeiras gerações que ergueram a comunidade e semearam as plantas que hoje os alimenta.

Indicamos para crianças que estão precisando de um ‘empurrãozinho’ para por em prática seus dotes artísticos.

Onde encontrar: InaLivros


2) PARTIDO ALTO – SAMBA DE BAMBA

livros sobre samba - PARTIDO.ALTO

 

A obra é iniciada com uma bela voadora no peito da indústria de entretenimento de massa que é exposta como descompromissada com a cultura ‘tradicional’. Nei Lopes inclusive fala que a indústria, na busca incessante por lucro, criou o ‘pagode paulista’, uma invenção  que de pagode, na origem da palavra, não tem muita coisa. Enfim, é um livro que trás grandes provocações.

O livro se origina da adaptação de uma monografia que recebeu menção honrosa no concurso Sílvio Romero, 1988.  Nei Lopes discorre sobre a tradição carioca do samba improvisado e cantado em desafio. Além disso,  também aponta as possíveis origens do que é hoje o Partido Alto, bem como a característica guerrilheira da cultura africana diaspórica que utiliza a cultura hegemônica para sobreviver se recriando e frutificando sua existência.

Indicamos para todos os amantes do samba tradicional e todos aqueles que querem conhecer mais sobre o assunto.

Onde encontrar: InaLivros


 3) SAMBA MENINO – A HISTÓRIA DO SAMBA CONTADA PARA A CRIANÇADA

SAMBA.MENINO.BLOG

 

Livro porreta de Raphael Moreira, que é publicitário, músico e produtor cultural. Em ‘Samba Menino’ o autor teve a preocupação de fazer uma viagem didática com Semba, um menino que chegou ao Brasil escravizado trazendo de sua terra natal  a dança da umbigada. Em tempo, foi rebatizado, passando a se chamar Samba e aos poucos foi se popularizando e se tornando parte da Cultura Brasileira.

Aí ele conhece uma galera da pesada que vai desde Tia Ciata a João da Baiana, de Sinhô a Ismael Silva. Pelas companhias parece que esse menino, não estava de bobeira, não. E com a criação e uso do rádio, ele vai crescendo e conhecendo o Brasil. Se mete no meio da folia com Zé Pereira, até que os blocos viram Escolas de Samba, tomando as dimensões enormes que conhecemos hoje e ele ali, acompanhando tudo.  Com a televisão é que ninguém parou mais esse menino. E até no espaço ele foi parar, acordando robô.

O livro vem acompanhado de um CD com excelente produção e músicas muito bem compostas. Ah, ele é bilíngue – (português x inglês). Vai dizer que o Samba não merecia?!

Indicamos para jovens que adultos que querem percorrer a história do samba de uma forma leve e divertida.

Onde encontrar: InaLivros


 

4) O SAMBA DE IRAJÁ E OUTROS SUBÚRBIOS

LIVROS SOBRE SAMBA - SAMBA.DE.IRAJA.

Esse livro é uma análise sobre a obra de Nei Lopes, um intelectual que se faz artista, inquieto produtor que mistura em si composições interpretadas e gravadas por inúmeros cantores populares, escritor, historiador, advogado, partideiro, religioso e como não se bastasse, carioca. Mas esse não é um carioca qualquer, como o próprio autor Cosme Elias propõe. Ao apresentar o samba na obra de Nei, o autor o identifica como veículo de afirmação de identidade carioca e negra. No entanto, o intuito dessa obra não é esgotar o debate sobre a construção da identidade nacional, mas dá sinais sobre alguns aspectos dessa identidade.

Para isso utiliza a capital do Rio de Janeiro como pano de fundo, num período em que obras de embelezamento foram promovidas por Pereira Passos às custas da expulsão da população negra e empobrecida do centro para regiões periféricas da cidade e da  criação de núcleos urbanos nas proximidades das linhas de trem e bonde. Essa contextualização serve para mostrar a relação desse movimento com a  criação de Escolas de Samba e algumas décadas depois, mais precisamente em 1930, a legalização dessas agremiações e a oficialização do carnaval por parte do Estado.

Essa oficialização, como aponta o autor, teve duas leituras distintas. A primeira de que a população que fazia o Carnaval, foi utilizada como massa de manobra ao se aliar ao Estado e aceitar alterações nas estruturas das escolas e dos desfiles. E a outra de que o Estado ao oficializar essa festa popular admitia a existência de um povo negro.

Nei Lopes na qualidade de cantor, compositor e pesquisador entra com tudo nesse debate,sendo ele sujeito e também predicado do universo do samba. Agora, é o seguinte, não pense que irá encontrar uma biografia de Nei nesse livro. O que terá aqui é uma análise de sua obra e pronto!

 

Indicamos para quem quer uma reflexão mais profunda sobre as origens do samba carioca e uma análise com contextualização histórica da obra de Nei Lopes. Um livro para pesquisadores do samba.

 

Onde encontrar: InaLivros

 


 

Esses foram os nossos 4 livros sobre samba. Tem samba pra todos os gostos. Então, se você chegou até aqui e quer realmente saber o que um morcego com síndrome de passarinho, vai saber agora. Porque isso não está escrito em livro.  Experimente sair de casa no sábado pela manhã bem cedinho e curta o samba até o dia seguinte. Tudo isso sem pausa para descanso. Vire a noite como uma morcego e curta o dia como um passarinho. Aí, quando você acordar, vai ver que só um livro pode curar a sua ressaca e cansaço.

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7 Fábulas e Contos Africanos – InaLivros Listas

 

Acompanhe nessa lista 3 fábulas e 4 contos conhecidos em países africanos.  Todos os livros foram publicados no Brasil e o interessante é que sempre trazem uma construção positiva sobre os diversos assuntos que abordam. As histórias fazem parte da cultura local e foram transmitidas oralmente. Depois desses relatos, você terá mais motivos para conhecê-las e lê para um erê, ou vários.

1) AS GARRAS DO LEOPARDO

fábula africana - as garras do leopardo Autor: Chinua Achebe / Nigéria

 

Essa fábula africana mostra como era “no começo”. Nessa época os bichos vivam em aldeias rodeados de florestas. Todos eram amigos e a maioria não possuía garras afiadas e nem dentes que pudessem por medo ou mesmo machucar um ao outro. E lá, eles tinham um rei, que não era o Leão e sim o Leopardo, que os liderava de forma muito rigorosa, porém era gentil e esperto. Todos os animais o admiravam e gostavam dele, com exceção do Cachorro. 7 fábulas e contos africanos

A Grande Chuva sempre foi um tormento para os bichos da floresta. Para resolver a situação, o rei convocou todos os bichos, que decidiram em comum acordo construir um abrigo comunitário. As exceções à decisão da coletividade vieram do pato e do cachorro que não tinha simpatia pelo Leopardo. Ambos moravam longe e não quiseram se envolver na construção que ficou pronta depois de algumas semanas.

O período da construção foi suficiente para que tivesse início uma tempestade que inundou a floresta e obrigou o cachorro a fugir da caverna onde vivia isolado. Ele foi direto para o abrigo comunitário construído pelos outros bichos. Chegando lá, imediatamente expulsou quem estava dentro, travando uma batalha sangrenta com o rei Leopardo que, em desvantagem, perdeu a disputa. Afinal, o Leopardo não possuía garras, muito menos dentes afiados, ao  contrário do Cachorro.

Desolado e com o sentimento de ter sido traído, já que nenhum dos animais teve coragem de se unir para enfrentar o Cachorro, como propôs o Leopardo, ele se embrenhou pela floresta e adquiriu o que era necessário para retornar, reavendo assim seu trono. Depois de toda essa situação, o Cachorro revelou sua verdadeira face que era ainda mais obscura como atesta o texto.

Gostou? Agora é preciso ler o livro para saber tintin por tintin o que de fato aconteceu.

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2) KALIMBA

fábula africanca - kalimba Autora: Maria Celestina Fernandes / Angola

 

Os tempos eram tão secos que as sementes plantadas não germinavam. A fome chegou na aldeia e se manifestava em todos. Os celeiros já estavam vazios como os estômagos e, quando tudo parecia perdido, alguém surge com uma ideia genial para resolver o problema. Depois da reunião em que todos tinham o direito de decidir em conjunto, ficou acordado que mandariam seus filhos em busca de comida. E assim tem início esse conto super instigante. 7 fábulas e contos africanos

A ideia era que os mais jovens levassem consigo utensílios como facão, machado e enxada para trocar por alimentos. Logo partiram com o objetivo de salvar o povo da aldeia, que não aguentava mais de fome. No caminho, depois de muito andar, se deparam com um velho que tinha uma ave na mão. Ele os perguntou o que faziam andando naqueles caminhos. Explicaram a situação e o velhote sugeriu trocar o pássaro que tinha em mãos pelos utensílios que levavam.

Dois dos três camaradas riram e fizeram chacota do velho que fazia uma proposta entendida como insana. No entanto, Kababo, o moço que levava o machado, deixou que os camaradas avançassem um pouco na caminhada e aceitou a troca. A partir desse feito, tem início uma grande confusão. Pois, a Kalimba, ave de asas e dorso acinzentados, assume o papel principal da trama.

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3) O JOVEM CAÇADOR E A VELHA DENTUÇA

fábula africana - jovem.cacadorAutor: Lucílio Manjate / Moçambique

 

Esse conto apresenta a história da Velha Dentuça que morava na floresta com moças formosas de pele escura que a tratavam como mãe. Ela possuía dois dentes a frente que lembravam um coelho, cada um media cerca de um metro de altura. Já o Jovem Caçador era robusto, bonito e descendia de uma família muito humilde. 7 fábulas e contos africanos

Decidiu, o Jovem Caçador, que precisava se casar e na floresta iria conseguir sua esposa. Comunicou aos pais para obter a benção e seguir seu caminho, mesmo ciente de que todos que se arriscaram na floresta jamais retornaram.

A mãe tentou convencê-lo a desistir da ideia, mas a determinação do Jovem era irreversível. Então, ela o aconselhou a levar seus cachorros e contou um pouco do que sabia sobre a floresta. Explicou-lhe que a floresta já havia sido uma bonita e próspera aldeia, até que os homens e as mulheres, responsáveis por podar a copa das árvores, morreram de velhice e o lugar foi se tornando obscuro e sem luz. A Velha Dentuça, que já habitava a região, matou todos os meninos que restaram da aldeia. No entanto, as meninas receberam todos os seus cuidados e se tornaram mulheres bonitas.

O Jovem, convicto de sua decisão, partiu em direção à floresta onde foi muito bem recebido.  A Velha logo pôs em prática suas táticas que haviam dado certo com todos os moços que tentaram buscar uma esposa na floresta. E os cachorros do Jovem tiveram papel fundamental diante das estratégias da Velha, que envolveram até peido fedorento para frear  empreitada do Jovem Caçador.

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4) BOJABI A ÁRVORE MÁGICA

fábula africana - bojabi árvore mágicaAutora: Dianne Hofmeyr / África do Sul

Nessa fábula africana, as planícies da região onde hoje é  a África do Sul sofriam com a seca e a escassez de alimentos. Todas as plantas secavam. O Elefante, a Girafa, a Zebra, o Macaco e a Tartaruga arrastavam-se pelas terras áridas atrás de migalhas que pudessem atenuar a fome.

De longe, os bichos avistaram uma árvore maravilhosa coberta de frutos vermelhos e maduros.  Mas quando chegaram bem pertinho, se depararam com uma imensa serpente Píton enrolada no caule da árvore. Pediram à serpente que saísse dali para que pudessem comer dos frutos. E a serpente fez uma exigência, queria que falassem o nome da árvore para que os deixassem se alimentar.

Como os animais não sabiam o nome de tal árvore, decidiram procurar o Leão que tudo sabia e poderia lhes auxiliar. Foram então, um de cada vez, a sua procura e o encontraram distante e cada vez menos paciente. De toda forma, dizia o nome da tal árvore e ao retornar, os animais estavam tão preocupados com suas habilidades que no momento certo, esqueciam a pronuncia do nome da árvore que o Leão havia ensinado. 7 fábulas e contos africanos

Até que deixam a Tartaruga, tão lenta, porém esperta e astuta, ir ao encontro do majestoso.

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5) A VASSOURA DO AR ENCANTADO

Fábula Africana - Vassoura do Ar EncantadoAutor: Zetho Cunha Gonçalves / Angola

 No norte de Angola, uma pequena aldeia era rodeada de nevoeiro, cafezais e muitos rios. Os rios cantavam e contavam histórias sobre segredos do princípio do mundo. Lá viviam duas irmãs muito velhinhas, que as pessoas das outras aldeias diziam se tratar de bruxas feiticeiras. Esse é o enredo desse conto.

As pessoas da aldeia onde viviam não se preocupavam muito com elas, pois pareciam pessoas normais, exceto quando olhavam as coisas e as pessoas, aí se diferenciavam, pareciam enxergar coisas que os outros não viam. E de fato, enxergavam. Quando alguém adoecia na aldeia, eram elas que cuidavam do enfermo com seus saquinhos e olhar de feitiço. Esses dons e poderes especiais eram suficientes para que todas as gentes da aldeia as respeitassem. 7 fábulas e contos africanos

Com elas lá, a aldeia era conhecida pelas pessoas de fora como a Aldeia das Bruxas. E era o lugar mais bonito e perfeito de se viver. Depois do jantar era o momento em que todos se reuniam para ouvir as histórias que os mais velhos contavam. Ao acordar descobria-se que cada um havia acompanhado uma história diferente. E esse era mais um dos grandes mistérios da Aldeia das Bruxas.

A vizinhança tinha muita inveja da Aldeia das Bruxas e, por conta desse sentimento, decidiram eliminá-las. Mas para surpresa daqueles que habitavam fora da aldeia, o povo que vivia na Aldeia das Bruxas, decidiu defendê-las e nada de mal lhes aconteceu. Daí, estas decidiram retribuir os vizinho da aldeia, ensinando algumas crianças os segredos que conheciam. Vale a pena ler para conhecer o final…

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6) O REI MOCHO

rei.mocho Autor: Ungulani Ba Ka Khosa / Moçambique

 Nesse conto acontece um diálogo entre pai e filho sobre tempo antigos, onde o mundo ainda era pequeno e os gestos se sobrepunham a fala. Animais e homens se entendiam perfeitamente. Naqueles tempos a mentira ainda não havia sido inventada. E ela surge, justamente da confusão criada entre o homem e o Mocho.

As aves decidiram escolher um chefe, alguém para seguir, alguém que pudesse dar orientações. Escolheram, então, o Mocho e comunicaram a todos os bichos, inclusive aos homens. E a escolha foi feita por conta dos chifres que o Mocho possuía.

Por verem as saliências na cabeça do Mocho, acreditavam se tratar de fato de chifres. E o Mocho por sua vez, quando indagado, não desdisse a falta de chifres, ao contrário, solicitou as aves que não encostassem em suas cabeças de modo a não atrapalhar o comando. Ainda assim, tudo era harmônico e funcionava perfeitamente bem entre todas as espécies que habitavam a Terra.

O homem que já teve a possibilidade de sentir os chifres em seus dedos, desconfiou da veracidade do Mocho possuir tal apetrecho em sua cabeça. Decidiu, então, passar a mão na cabeça do Mocho, sentindo um tufo macio de cabelo, ao invés de saliências duras como chifres. Imediatamente, anunciou a todos que o Mocho era mentiroso e que havia se aproveitado da ingenuidade das aves para ser Rei. E a confusão que o homem gerou, você só vai saber lendo o livro!

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7) AS ARMADILHAS DA FLORESTA

armadilhaAutor: Hélder Faife / Moçambique

 

Os animais da floresta deixam de ser acordados pelos passarinhos que eram o despertador local. A partir daí instala-se uma grandiosa confusão. A paralisação dos passarinhos faz com que os bichos da noite não se recolham no horário apropriado e os diurno não levantem no princípio do dia.

Com os dias, além da confusão, a tristeza vai começando a se instalar na floresta. Percebendo a desarmonia, o rei Leão convoca os animais em assembleia para entender o que estava causando toda aquela situação. Os animais apontam a paralisação dos pássaros como a grande responsável. O Leão pergunta aos pássaros com toda sua autoridade, o que havia acontecido e eles falam que não cantam sem felicidade, sem alegria e que sua tristeza era causada pelas atitudes do homem que cortavam as árvores, sua morada. Outros bichos começaram a reclamar também, uns da poluição do ar, dos rios, outros do assassinato de suas espécies para venda de algo valioso como o chifre do Rinoceronte, o marfim do Elefante, dentre outros.

Ao entender a situação dos bichos, o Leão decide agir. Foi atrás do homem para conversar. Cheio de medo ao se deparar com o Leão, o homem aceitou a proposta que o rei da selva fez. Dia sim, dia não os animais presos na armadilha que o Homem punha na floresta seria do Leão. O Leão, em seu dia,  atraiu a mulher do homem com seu filho para uma das armadilhas. Para saber como o homem saiu dessa e como os animais da floresta voltaram a viver em harmonia, só lendo o final dessa fábula africana no livro.

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11 Livros de Contos Negros – InaLivros Listas

CAPA - 11 livros de contos negros

Dessa vez elaboramos uma lista quentíssima com 11 livros de contos negros que você precisa conhecer. São livros com protagonismo negro na escrita e nos personagens (todos trazem as vivências de pessoas negras em destaque). Você irá se encantar, se identificar e conhecer mais sobre o cotidiano da população negra retratado literariamente sem estereótipos ou inferiorizações.

Confira a lista:

1) OLHOS D’ÁGUA

contos negros - olhos d'água

 O olho cheio de água que compõe a capa dessa obra não anuncia o soco, o pontapé e aquela cusparada na cara que está por vir. Os textos reunidos nessa obra, outrora publicados nos Cadernos Negros, machucam e maltratam. Todavia, apresentam de forma elegante e necessária, as mazelas que muitos fingem não ver. Se assustou com a apresentação? Não se intimide, Conceição é uma autora que precisa ser lida e entendida. Vamos lá, coragem!

conceição evaristo

Sobre a autora: Conceição Evaristo é mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Professora, pesquisadora e referência em literatura negra brasileira. Seus livros já foram premiados e  traduzidos para diversas línguas.

Onde encontrar: InaLivros

 

2) O TAPETE VOADOR

contos negros - o tapete voador

 O Tapete Voador, título que também nomeia um dos instigantes contos de Cristiane Sobral, apresenta as inquietações e a aceitação de normas impostas historicamente à negras e negros no Brasil, mas que pode ser ampliado para todos que sofreram o processo diaspórico nas américas. A negação de sua identidade e a do grupo ao qual pertence para ascender socialmente, ainda é uma tônica em determinados meios. Em contrapartida, essa visão vem se alterando de forma cada vez mais rápida na sociedade brasileira. E essas mudanças estão de acordo com a valorização da identidade negra e suas vivências que estão retratadas no cotidiano em que se inserem os textos desse livro, bem como as críticas direcionadas àqueles que não satisfeitos em serem estigmatizados, resolvem também colocar em prática o mito do homem negro sensual e procriador.

cristiane sobral

Sobre a autora: Cristiane Sobral é atriz, escritora e poeta. Estudou teatro no SESC do Rio de Janeiro, em 1989. Estreou na literatura em 2000, publicando textos nos Cadernos Negros. Foi crítica teatral da revista Tablado, de Brasília. Fez mestrado em Artes e pós-graduação em Educação com ênfase no ensino de Artes. Trabalhou como Assessora de Cultura da Embaixada de Angola no Brasil.

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3) MULHER MAT(R)IZ

contos negros - mulher matriz

 A obra Mulher Matriz reúne contos escritos e publicados ao longo dos mais de 20 anos que a autora tem dedicados a literatura negra. Miram Aves deu espaço em seus textos às mulheres negras em sua diversidade, expressando relações de amor, vivências, afetividades e muitas paixões femininas.

mirian alves

Sobre a autora: Miriam Alves é escritora e poeta com uma longa trajetória literária. Participa frequentemente de debates e palestras em universidades nacionais e estrangeiras com temas vinculados às questões da literatura negra com ênfase especial a  literatura negra feminina.

 

 

4) SÓ AS MULHERES SANGRAM

contos negros - só as mulheres sangram

Só as Mulheres Sangram nos apresenta os dilemas de um cotidiano negro urbano e rural, onde as principais vivências retratam a mulher negra em diversos espaços geográficos, tais como as ruas, interior, presídios, morros e favelas. Mais um livro de contos negros focado na vivência feminina negra em sua multiplicidade.

lia vieira

Sobre a autora: Lia Vieira é escritora e doutora em educação, com longa trajetória literária. Possui outras obras publicadas, assim como textos, tanto em livros individuais, como em coletâneas como os Cadernos Negros.

 

 

5) CASA DE PORTUGAL

contos negros - casa de portugal

Em sua estreia com os contos reunidos em um livro autoral, o autor já calejado em publicar seus textos nas coletâneas dos Cadernos Negros nos traz aquelas lembranças gostosas que as reuniões de famílias pretas enormes nos proporcionam.  São contos que remetem àquele papo furado do ponto de ônibus, e o que falar daquela partida de futebol no campinho da esquina onde temos de um lado o time dos casados e do outro o dos solteiros? Casa de Portugal é um prato cheio de afetos e contradições, por isso não poderia faltar nesse seleção de livros de contos negros.

SERGIO ballouk

Sobre a autor: Sergio Ballouk é formado em Publicidade e Propaganda pela Cásper Líbero, fez Pós-graduação em Gestão Pública pela Universidade Mogi das Cruzes e participou do curso de Criação Literária – Museu Lasar Segall.

 

Onde encontrar: InaLivros

6) CONTOS ESCOLHIDOS

contos negros - contos escolhidos

Temas como amor, ódio, amizade, indiferença e tantos outros alimentam os contos aqui publicados. O autor demonstra as formas como o racismo, seja ele dissimulado ou não, atravessam as situações vivenciadas por seus personagens. O leitor encontra um acúmulo de retratos bem elaborados das desvirtudes que acometem milhões de brasileiros. O livro trás uma seleção de contos escolhidos dentre a sua ampla produção literária e recomendamos como uma forma de conhecer um pouco da obra em prosa do autor.

 

CUTI

Sobre a autor: Cuti formou-se em Letras (Português-Francês) na Universidade de São Paulo, em 1980. Mestre em Teoria da Literatura e Doutor em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem – Unicamp (1999-2005). Foi um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura, de 1983 a 1994, e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros, de 1978 a 1993.

 

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 7) O REGRESSO DO MORTO

contos negros - O regresso do morto

A primeira edição de ” O regresso do Morto” foi publicada em 1989, chegou nesses lados de cá da “Calunga Grande”, em 2016. O único autor estrangeiro nessa seleção, Suleiman aborda em seus contos o cotidiano de pessoas pobres das cidades, dos campos e de mineiros que fazem longas viagens para tirar seu pouco sustento e que alimentam diversas fantasias. A dor e a resistência também têm lugar em seus textos ao abordar a violência que é sobreviver em condições subumanas. Pra quem tem interesse em conhecer um pouco sobre a literatura africana, especificamente a moçambicana, indicamos esses contos negros.

SULEIMAN

Sobre a autor: Suleiman Cassamo é de Moçambique. Escritor e professor, tem licenciatura em Engenharia Mecânica e é membro da Associação de Escritores Moçambicanos.

 

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8) REZA DE MÃE

contos negros - Reza de mãe

Mais uma vez o Allan da Rosa nos surpreende com a sintaxe repleta de originalidades. Suas personagens vivenciam realidades periféricas encontradas facilmente na cidade de São Paulo, mas que poderiam refletir qualquer  periferia das capitais brasileiras, sem perder o valor que compõe cada texto. Valor esse que traz o cotidiano das ruas, quintais, becos, vielas, campos de várzea e outros espaços comuns à população negra.

ALLAN.1

Sobre a autor: Allan da Rosa é formado em História e tem mestrado em Cultura e Educação. Autor, entre outros, de A Calimba e a Flauta – Versos Úmidos e Tesos (livro-CD de poesia erótica, com Priscila Preta, 2002), Pedagoginga, Autonomia e Mocambagem (Ensaio sobre Cultura Negra e Educação Popular, 2013) e Mukondo Lírico (livro-CD, com Giovanni Di Ganzá, 2014).

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9) CIRCO DE PULGAS

contos negros - Circo de Pulgas

Circo de Pulgas nos aproxima tanto do Rio de Janeiro ao nos apresentar os Aruandas, Toquinha, Sete, Pincel, Elvis, personagens que ora estão na Lapa, Pedra do Sal, Senador Camará e outros cantos da cidade. O livro nos faz ter sensações tão diversas que podem ir desde a risada desmesurada quando Bento dá uma volta no editor e publica o ‘Mundo Bizarro de Beato Salu’, até a emoção de presenciar Zé Menino tocando bandolim no velório de Dona Menininha. Um livro de contos negros repleto de personagens marcantes, que ganham vida na narrativa leve e descontraída de Manto Costa.

MANTO

Sobre a autor: Manto Costa é jornalista, historiador e escritor. Iniciou a carreira literária publicando um romance logo de cara, Meu Caro Júlio. Depois participou da antologia Terra de Palavras e sua obra mais recente foi Circo de Pulgas.

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10) O CARRO DO ÊXITO

contos negros - O carro do êxito

Essa é uma edição revisada do livro que marcou a estreia de Oswaldo de Camargo nos contos, em 1972. Detentor de uma técnica refinada traz em um de seus contos, Maralinga, a ingenuidade do menino pequeninho que é deixado pelo pai, recém-viúvo, na casa de um doutor que irá cuidar para que “se torne alguém na vida”. Não poderia faltar nesse seleção de contos negros uma obra de Oswaldo de Camargo, um dos principais e mais longevos  escritores negros brasileiros.

osawaldo

 

Sobre o autor: Oswaldo de Camargo é jornalista, poeta, contista, novelista e músico. Foi um dos fundadores da coletânea Cadernos Negros e acumula prêmios por sua atuação literária. Atua como consultor, revisor e palestrante. 

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11) MUITO COMO UM REI

 

contos negros - Muito como um Rei

De forma direta, Fábio Mandingo aborda as violências, amores não correspondidos, feridas e poucas alegrias nos contos de Muito como um Rei. Seu retrata as suas vivências nas periferias de Salvador.

Fábio Mandingo 2

Sobre a autor: Fábio Mandingo aprendeu a fazer ele mesmo, ao som do punk rock, virou homem na Capoeira e no Axé.  Pós-graduando em História Social do Negro. Publicou os livros de contos: Salvador Negro Rancor (2011), Morte e vida Virgulina (2013) e Muito como um rei (2015).

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Ufa! Quanta coisa boa. A seleção que fizemos apresenta diversas interpretações e olhares sobre as vivências da população negra. Esperamos ter auxiliado a ampliar o olhar sobre novas escritas e abordagens sobre a produção literária de autores negros.  Outros livros de contos negros podem ser encontrados em nossa  loja virtual.

E se você chegou até aqui em nossa listinha, não custa nada nos dizer um que você já leu. Ou até mesmo nos indicar outros livros e autores. Vamos lá, é rapidinho…

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