Category Archives: Literatura negra brasileira

Autora do Mês – Maio – Cristiane Sobral

A InaLivros começa esse mês uma série de conversas sobre obras e autores. Vamos conhecer melhor o processo de criação de determinadas obras. A escolhida do  mês de maio foi a autora Cristiane Sobral, autora do livro Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção, obra escolhida para o clube de leitura Leia Mulheres Negras, realizado pela página do facebook Leia Mulheres Negras com o apoio da InaLivros.

Lu Bento: Cristiane, quando nós da InaLivros pensamos este espaço, o Quilombo Literário, a motivação inicial foi de busca por uma literatura que falasse das questões vividas pelas população negra, uma literatura que nos colocasse em posição de protagonismo e que se apresentasse ao mundo a partir de um ponto de vista afrocentrado, ou de um ponto de vista de um pessoa negra. Pra gente, isso se reflete em uma busca por uma literatura negra. Então eu vou começar com a pergunta que a gente sempre faz para os nossos convidados: Existe um literatura negra? O que é literatura negra pra você? IMG_8032

Cristiane Sobral: Não afirmo apenas uma literatura negra, em minha opinião a literatura negra tem diferentes contornos a partir de cada escritor, embora os elementos, as ferramentas de escritas sejam coincidentes, existe literatura negra, sim, há tempos. Seu marco oficial no Brasil aponta para o século XIX. Vários estudiosos da literatura, como o Prof. Dr. Eduardo de Assis Duarte, da UFMG tem traçado essa linha do tempo e apresentado grandes expoentes desse nicho de produção.

O que é literatura negra na minha concepção?

Uma literatura interessada na subjetividade negra, nas suas memórias, histórias, tradições, engajada na contação de histórias da negritude e sua ancestralidade. Nessa literatura, os escritores negros falam de si, desafiando as visões estereotipadas apresentadas pela literatura “universal”, no que se refere à representação dos personagens negros.
Na literatura negra, que pode ser encontrada com outros nomes como afro-brasileira, afro-descendente, negro-brasileira, só para citar alguns, existimos além do escravagismo e do seu legado no Brasil: Somos seres humanos, diversos, Não existe um protocolo para ser africano ou afro-brasileiro, nossa identidade é múltipla, em construção contínua, amamos, lutamos, pensamos, além da diáspora negra, com a nossa mitologia, ciência, religião, temos o direito de contar as nossas versões diante da “história única”.
Não basta ser negro para produzir literatura negra, há um compromisso estético e político nessa escrita, existem escolhas conscientes do autor, no sentido da intencionalidade da obra.

Lu Bento: Você já tem uma trajetória de escritora com textos seus publicados no Cadernos Negros, livros de poemas, e o “Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção” foi seu primeiro livro de contos individual publicado. “Pixaim”, o conto que abre este livro, já havia sido publicado nos Cadernos Negros. Quais outros contos já haviam sido publicados? Você já tinha o esboço dessa estruturação do livro, ou você foi percebendo as ligações entre os textos ao longo do processo de criação?

Espelhos
Cristiane: Os outros contos que já tinham sido publicados são: “Garoto de plástico”, “Cauterização”, “A Discórdia do Meio”, “O Buraco Negro”, “Bife com Batata Frita”, e “O Último Ensaio Antes da Estreia”. A estruturação do livro foi totalmente intencional e programada.
Quando resolvi publicar um livro de contos, comecei a tramar um tecido que fosse combinado, pensando nos diálogos possíveis entre os textos e temáticas.

Lu Bento:  O livro “Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção” nos provoca a pensar sobre identidade, sobre visibilidade da população negra e principalmente sobre relações. É um livro que trabalha o tempo todo com as noções de ver e ver visto, em diferentes níveis. A própria ideia de espelhos que perpassa toda a obra nos guiando para uma leitura reflexiva, partindo de uma visão-reflexão sobre à aparência e de questões relacionadas à estéticas, passando por uma visão-reflexão de temas relacionados a afetos, até uma visão-reflexão sobre questões psicológicas e existenciais. O que te motivou a escrever sobre esses temas?

Cristiane: A subjetividade negra, o corpo negro, são temas que têm sido pouco abordados e de forma estereotipada em nossa literatura, as nossas obras têm raros exemplos de vivências das personagens negras fora do contexto da escravatura, humanizadas, com experiências e voz. Quero saber mais sobre a negritude além do contexto do escravagismo, quem são essas pessoas, onde estão, os seus sonhos e desafios… Também as lacunas na nossa ancestralidade, os antepassados que não conhecemos, nossas raízes apagadas, a diáspora é um grande mar com muito conteúdo, muita riqueza submersa.
Isso me motiva e fomenta a minha escrita.

Lu Bento: Os nomes dos seus personagens se repetem em alguns contos e são muito contextualizados. Os Augustos negros, as meninas Ioli, as mulheres Socorros que realmente precisam de ajuda, a Celeste, o Maurício, a Olga… São nomes especiais pra você de alguma forma? Essa é uma preocupação sua ao escrever, nomear as personagens de modo que demonstre através do nome um pouco da personalidade delas?

Cristiane: Sim, não escolho nomes ao acaso, na verdade os nomes são geradores e intensificam a construção das personagens, levo muito tempo para escolher os nomes, não concluo um texto enquanto não acho um nome adequado. Sim, são nomes especiais, personalidades que dão vida à ficção.

Lu Bento: A primeira parte, “Espelhos”, fala muito sobre negritude e a falta de reconhecimento dessa negritude. Em “Pixaim” a menina tem sua negritude camuflada pelo alisamento dos cabelos, mesmo contra seu desejo. Em “Garoto de Plástico” e “Cauterização”, as personagens estão presas a um modelo embranquecido de existência até conseguirem olhar para si mesmos e perceberem sua negritude. Em “Maria Clara” a menina tem a sua negritude negada para ser aceita como filha de um casal branco. Em “A Discórdia do Meio” há uma relação tensionada entre irmão pelo fato de uma ser negra e o outro ser mestiço e ambos terem que lidar com essas identidades raciais. Enfim, gostaria muito que você falasse brevemente sobre os textos desta parte do livro.

Cristiane: Nessa parte do livro, as identidades estão em confronto com a realidade cotidiana do enfrentamento do racismo em nosso país, cada um com suas escolhas, perspectivas, mas sempre instigados ao conflito, com a possibilidade de ruptura. Quanto mais a consciência racial e o autoconhecimento, maior o empoderamento das personagens.

Os personagens têm muitos desafios alguns tomaram um caminho diferente conforme se deu o processo de escrita, percebi que isso faz sentido, considerando o meu interesse em construir histórias além dos maniqueísmos de bem e mal. É preciso ouvir a voz dos personagens no processo de composição literária e exercitar o desapego. Em certas passagens, a realidade é hiper realista, surrealista, beira o absurdo, em muitos momentos senti a necessidade de romper algumas convenções que extrapolam o realismo, para que os confrontos pudessem existir e provocar o leitor.

Lu Bento: A segunda parte, “Miradouros”, creio que os encontros e desencontros perpassam todos os textos. Eles nos convidam a refletir sobre desejos e sobre transformações em modos de ver a vida e as relações interpessoais. Os protagonistas passam por situações que lhes possibilitam uma mudança de atitude diante de uma situação. Qual era a sua expectativa com os textos desta parte?

Cristiane: Miradouro é um local de onde se pode enxergar, mirar, um horizonte largo. Nessa parte do livro, os personagens vão se resolvendo no percurso. São convidados a nascer. Nos três últimos contos, há certa névoa no horizonte, é difícil para cada um dos protagonistas, que parecem perdidos, a visualização de saídas, mas eles mergulham em si mesmos. Quando parecem derrotados, encontram o seu próprio caminho. Gosto muito dos mistérios que envolvem as histórias das pessoas, seus paradoxos, as especificidades que compõe cada indivíduo, sua sombra e sua luz.

Lu Bento: A terceira parte, “Dialéticas da Percepção” tem seu foco na morte e na solidão. Todos os contos tangenciam esse tema de uma maneira muito intensa, e trabalham de alguma forma o olhar para si mesmo. Eu destaco especificamente no último texto, a fala do personagem Pedro:”Se você se enxerga diante de um espelho negro, aprenderá a conviver com as suas sombras, com as suas luzes, alterando a sua percepção.”. O que você tem a falar sobre essa terceira parte do livro?

Cristiane: Esse último portal é um caminho de dor, sentimento inevitável diante da invisibilidade do negro nesse país, da exclusão social, da solidão da mulher negra, da exploração do corpo do homem negro, da sua sexualidade, do capitalismo e dos seus mecanismos de padronização dos sujeitos. Mas a morte e a dor também são reveladas além do pensamento judaico cristão, a morte dos sujeitos aí, também tem seu desabafo, nem sempre como uma rendição diante das dificuldades. Alguns contos permitem a reconstrução, a resiliência diante da dor, mas outros não. A tridimensionalidade humana é destacada, sem maniqueísmos de mal e bem.

Lu Bento:  O livro está dividido em 3 partes, cada uma com 7 contos. Acredito que essa estruturação não foi por acaso, e gostaria que você falasse um pouco sobre isso. O número 7 me remeteu imediatamente a ideia de 7 anos de azar, relacionadas a quebra do espelho. Em cada uma das partes há um texto que provoca um quebra em relação aos demais. Na primeira parte, creio que o texto “O buraco negro” traz essa quebra ao falar de uma depressão e sua superação. Na segunda, “Homem bom entregador de pizza” talvez exerça essa função e na terceira, “Espelho negro” fala de uma mudança da perspectiva de reflexão, da aparência/estética para os reflexos de espelhos negros, que refletem memórias e ancestralidade. Essa é uma visão pessoal minha. Você pensou em alguma dessas coisas eu escolher essa estrutura para o livro?
Tudo nesse livro foi milimetricamente pensado. 21 contos, que são reduzidos na numerologia ao número 3, número chave no processo da criatividade e da comunicação. Novamente temos o 3, pois o livro tem três capítulos, três portais que vão além da dualidade do mal e do bem, eu queria muito propor isso.

Cristiane: Quanto ao número 7, ele fecha e abre muitos ciclos, sete dias da semana, sete cores do arco-íris, sete orixás na umbanda, cada período lunar tem sete dias, enfim. Eu quis trabalhar com ciclos, sete contos, em três portais, totalizando 21 contos, o três novamente, símbolo mágico da comunicação, corpo, mente e espírito. Três é um número ótimo pra quem quer trocar ideias e escrevi o livro considerando essas perspectivas.

Outro aspecto. Os sete contos foram agrupados intencionalmente, o primeiro portal, Espelhos, aborda os desafios da identidade, o segundo, Miradouros, revela identidades em confronto com a perspectiva de mudança, seus desafios e no terceiro portal, a morte é um caminho para a vida, para a transformação. A morte também revela a necessidade do momento limite, no qual precisamos mudar o estado das coisas. Em todos os contos aparece a palavra espelho, isso foi proposital.

Lu Bento: Meu conto favorito no livro é Olga. A construção complexa da personagem e a sua reviravolta me chamaram muita atenção. Você tem um conto favorito? Ou um conto que foi mais tranquilo de escrever, ou que você gostaria de destacar de alguma forma?

Cristiane: Não tenho um conto favorito, é difícil escolher. Cada um tem um aspecto que me fascina, pelo bem ou pelo mal, além disso, me provocam, são pessoas que eu gostaria muito de encontrar e conhecer, isso me desafia a escrever, a contação de histórias, a invenção. Olga por exemplo, que loucura, eu não sabia onde ela poderia chegar, tão inesperada, amo a sua impulsividade e o desapego diante das situações. Alguns personagens me incomodam também, outros provocam profunda reflexão. Depois que escrevo procuro me distanciar e ler novamente, como leitora. É sempre um aprendizado.

Lu Bento: Vamos a mais um pergunta padrão da InaLivros: Nós queremos muito estimular novos escritores. Desde quando a gente começou a conversar com autores, quase sempre um outro escritor teve um papel fundamental no incentivo para a publicação. Quem te incentivou, te encorajou a começar a publicar? Ou a continuar publicando, ou a publicar livros autorais e não só permanecer publicando em coletâneas?

Cristiane: Minha mãe Marina, foi uma grande incentivadora, professora de formação e dona de casa por decisão. Era muito exigente com as tarefas escolares e eu, sempre interessada pelas letras, a ponto de deixar as bonecas de lado, fui instigada por ela a respeitar a língua portuguesa e a me colocar diante dela como eterna aprendiz, sempre querendo mais, lendo mais, indo mais fundo. Meu pai, ávido leitor e cinéfilo, despertou o amor pelas histórias nos filmes, de certa forma a minha preocupação com a construção de imagens vem daí, porque assisti muitos filmes e ouvi muita música boa em casa. A música me deu o sentido do ritmo e da sua importância na construção tanto da poesia, quanto da prosa. Mas eu tinha um incômodo no que se refere a representação das personagens negras, o Quilombhoje foi muito importante pois conheci autores produzindo em outra dimensão, com outro ponto de vista no que se refere à construção da subjetividade negra na literatura. Com o grupo comecei a publicar, em 2002, incentivada por uma amiga angolana, Alexandra Aparício, historiadora, Diretora da Biblioteca Nacional na altura, intelectual e mulher feminista aguerrida, com quem compartilhava meus escritos, guardados há anos, a sete chaves. Quando comecei a publicar tive muito retorno do público leitor, isso me instigou muito a continuar escrevendo, lendo, refazendo a minha escrita.

Lu Bento:  Seus textos falam muito sobre a solidão da mulher negra. São muitas mulheres solitárias ou com relacionamentos problemáticos. Qual é a importância de ficcionalizar esse tema que é tão frequente na realidade das mulheres negras?

Cristiane: Sim, precisamos falar sobre as nossas dores, amores, também sobre as nossas vitórias. Vivemos um longo período de silenciamento, não havia tempo para falar, os corpos das mulheres negras estiveram sempre a serviço de outrem. E a dor é apenas um dos aspectos, quero ir mais fundo, no que se refere à subjetividade da mulher negra, precisamos aprender a gostar mais de nós mesmas, conversar, ficcionalizar, inventar e reinventar nossas vidas, a literatura é um portal. Existem muitos cenários de invenção para as mulheres negras, isso me interessa. Continuo atenta.

Lu Bento:Você já está preparando um novo livro? Você já publicou poesias e contos. Pensa em escrever um romance?

Cristiane: Estou preparando um livro de poesia, está quase pronto, pra esse ano ainda. Também estou finalizando a 3ª edição do “Não vou mais lavar os pratos”, revisada e com poesias novas. Sairá em 2016 também, junho ou julho. O livro de poesia “Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz, está com a 1ª edição no fim, demanda nova edição com urgência. Tenho duas peças de teatro prontas, não sei se tenho pernas pra publicar esse ano, mas quero negociar com outras editoras, porque ainda cuido de toda essa demanda de publicação na minha editora atual e quero ter mais tempo pra me dedicar à escrita. Também tenho dois infantis em fase de finalização. Pretendo lançar um romance há tempos. Para o romance, quero dedicar mais tempo, não tenho previsões, quero destruir ainda muito papel anteponcia_vicêncios de chegar ao ponto da publicação.

Lu Bento: Pra fechar, que livro você acha que todo mundo deveria ler, e porque?
Cristiane Sobral: Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo. Leiam e descubram sua potência. Contundente, avassalador, toca no fundo da alma, onde devem adentrar as grandes obras.

Lu Bento: Muito obrigada Cristiane!

 


Espelhos, MIradouros e Dialéticas da PercepçãoEspelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção

Cristiane Sobral

Ed. Dulcina

2011

 Compre aqui: InaLivros

 

 


Cristiane Sobral é escritora, atriz e pesquisadora, já publicou os livros Não vou mais lavar os pratos (poemas, 2011), Só por hoje vou deixar meu cabelo em paz (poemas, 2014), Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção (contos, 2011) e participou de diversas antologias. Para saber mais sobre a autora e suas obras, acesse o blog: http://cristianesobral.blogspot.com.br

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Lançamento do livro Quando me descobri negra, de Bianca Santana

Neusa Sadescobri negra4ntos Sousa já dizia em seu livro “Tornar-se Negro” que reconhecer e assumir a nossa identidade negra é algo que depende de um processo, não é apenas a cor da pele que define a nossa negritude.  Bianca Santana, jornalista e professora,  nos brinda com o livro “Quando Me Descobri Negra”, contando exatamente o processo de descobertas e experiências vividas por ela ao reconhecer sua identidade.

Um livro que fala sobre identidade negra e feminina, sobre questões que nos são tão próximas  e que em muitos momentos parece se tratar da nossa própria história de vida. Com contos fortes e concisos, Bianca Santana vai descrevendo a trajetória de mulher negra na sociedade brasileira.

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Lançamento

A InaLivros estará presente no lançamento da obra “Quando Me Descobri Negra”. O evento será promovido pela SESI-SP Editora, Casa de Lua e pela própria autora, contará com o apoio da InaLivros nas vendas e com uma edição aberta do Círculo de Mulheres Negras. Haverá, também, uma roda de conversa entre mulheres sobre identidade, negritude e racismo.

Quer participar desse evento e de quebra ainda voltar pra casa com um livro autografado pela autora? Então, se liga aí:

quando me descobri negra

Data: 11/11

Horário: 20h

Endereço: Rua Engenheiro Francisco Azevedo, 216, 05030-010 São Paulo – Casa de Lua

Como chegar: A Casa de Lua fica a 10 minutos a pé do Terminal Vila Madalena, próxima à Av. Pompéia.

Para saber mais e participar

O livro já se desdobrou em outros projetos. No site  Quando Me Descobri Negra, estão publicados descobri negra2textos da coletânea de Bianca Santana, ilustrado por Mateu Velasco, editado por Renata Nakano e há espaço para que as leitoras e leitores enviem seus próprios relatos de casos de racismo e dos seus próprios processos de reconhecimento da identidade negra.

Além disso, há a página do facebook onde é possível encontrar mais relatos da autora, vídeos de pessoas lendo trechos do livro e outras notícias relacionadas à descoberta da negritude e a casos de racismo.

E pra entrar no clima do lançamento, o evento no facebook traz as últimas notícias.

 

Para adquirir o seu exemplar clique aqui.

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Novidades na InaLivros #outubro

A InaLivros está com novidades no catálogo! Acabamos de firmar parcerias com a Ciclo Contínuo Editora, Coletivo Mjiba e Ogum’s Toques Negros. Se liga nos títulos:

 

MUITO COMO UM REIFábio Mandingo

muito como um rei - contos

Livro de contos do autor Fábio Mandingo, uma das vozes mais promissoras da  literatura negra baiana, é o terceiro livro do autor.

 

 

 

 

 

 

 

ÁGUAS DA CABAÇAElizandra Souza

águas da cabaça - poesiaO livro da jornalista e poeta Elizandra Souza trás a  leveza e firmeza do feminino. Principalmente da mulher negra.   Com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto, a obra faz parte do projeto Mjiba – Jovens Mulheres Negras em Ação. 

 

 

 

 

 

 

 

TERRA FÉRTILJenyffer Nascimento

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Terra Fértil é o primeiro livro de Jenyffer Nascimento,         escritora pernambucana negra e feminista. Essa obra de poesias é mais uma realização do Coletivo Mjiba.

 

 

 

 

 

 

PRETEXTOS DE MULHERES NEGRASVárias autoras

Orgs. Elizandra Souza e Carmen Faustino

pretextos de mulheres negras - poesia

Coletânea de textos poéticos de 22 mulheres negras periféricas. O livro é uma rica troca de experiências promovida pelo Coletivo Mjiba.

 

 

 

 

 

 

 

CORRENTEZAS E OUTROS ESTUDOS MARINHOS – Lívia Natália

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Novo livro da poeta baiana Livia Natalia, professora doutora em  Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura na Universidade Federal da Bahia.


 

 

 

 

 

 

Essas são as novidades deste mês! Todos esses livros estarão disponíveis na nossa loja virtual e na nossa banca durante os eventos. Quer saber onde estaremos na próxima semana? Clica na nossa agenda!

 

 

 

Veja Também:

InaLivros listas – 10 Livros de  Autoras Negras

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Esse mês, o Dicas de Livros traz uma lista de livros publicados por autoras negras.

1- Mulher Mat(r)iz de Miriam Alves

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É uma coletânea de textos publicados ao longo de 23 anos de vida literária. São contos que falam sobre o universo da mulher negra, focando em suas várias possibilidades de vivências e afetividades.

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Sobre a autora: Miriam Alves é escritora e poeta com uma longa trajetória literária. Fez parte da Quilombohoje, pelo qual publicou diversos textos em prosa e poesias. Participa freqüentemente de debates e palestras em universidades nacionais e estrangeiras com temas vinculados às questões da afro descendência no campo literário com ênfase especial a afro literatura feminina.

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2- Cartas para a minha mãe de Teresa Cárdenas

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Um livro pequeno e arrebatador. Teresa Cárdenas conta a história de uma menina que escreve cartas para sua mãe morta. Um romance emocionante sobre perdas irreparáveis e sobre o poder restaurador do amor e do autorrespeito. Uma narrativa que nos mostra um pouco da vida de mulheres negras em Cuba.

Sobre a autora: Teresa Cárdenas é uma premiada autora cubana, destaque da nova geraçteresacardenasão de autores da ilha. Recebeu o prêmio Casa das Américas, o prêmio David e o prêmio nacional cubano da Crítica Literária. Além de escritora, é uma bailarina renomada e contadora de histórias.

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3- Palmas e vaias de Sonia Rosa

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Uma delicada narrativa sobre as transformações da adolescência e sobre como o amor, o carinho e a atenção da mãe pode ser uma ferramenta para ajudar na superação das dificuldades cotidianas.

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Sobre a autora: Sonia Rosa é uma  escritora que se destaca principalmente pelos livros infanto-juvenis. Premiada no Brasil e no exterior, Sonia tem vários livros infantis, sempre valorizando a cultura e estética negra e a diversidade. Além de escritora, é contadora de histórias, pedagoga e professora da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro.

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4- Só as mulheres sangram de Lia Vieira

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Este livro de contos procura revelar diversos aspectos do cotidiano dos negros, em especial, das mulheres negras. O livro é uma verdadeira “celebração à mulher que doí a dor de ser”, como descreve a autora.liavieira

Sobre a autora: Lia Vieira é escritora e doutora em educação, com uma longa trajetória literária e diversas obras publicadas. Possui vários textos publicados, tanto em livros individuais, como em coletâneas como a Cadernos Negros.


5- A garota que queria mudar o mundo de Cinthya Rachel

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Neste livro, Cinthya Rachel conta a história de uma menina negra que quer um mundo melhor e tenta descobrir uma forma de mudar o mundo. Numa disputa de uma gincana no colégio ela encontra um caminho para entender as questões que a afligem.

Sobre a autora: Cinthya Rachel é atriz, famosa pela personagem Biba do Castelo Ratimbum ( TV Cultucynthiara), também é repórter e blogueira, além de escritora.

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6- A união faz a força – expressões do mito familiar em famílias negras de Reimy Solange Chagas

a união faz a força

Este livro, resultado da pesquisa de mestrado em psicologia da autora, é um estudo profundo sobre os aspectos psicológicos de famílias negras na contemporaneidade. Ele analisa como o mito familiar, sob a forma do segredo de família, está imbricado em questões sociopolíticas que muitas vezes desaguam em silenciamentos que são transmitidos psíquica e geracionalmente.

Sobre a autora: Reimy é psicóloga clínica e social, especialista, mestra e doutora em Psicologia Social pela PUC-SP.

Saiba mais:  lattes


7- A candidata de Vera Duarte

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A Candidata é uma obra que remonta à história da libertação do povo cabo-verdiano com base numa perspectiva feminina.

Sobre a autora: Vera Duarte é autora e jurista caboverdiana. Ativista dos direitos da mulher, umaveraduarte das mais proeminentes vozes de Cabo Verde.

Saiba mais: wiki 


8 – O Mundo Black Power de Tayo de Kiusam de Oliveira

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Essa é a história de uma menininha de 6 anos que gosta de brincar, adora animais e se orgulha da sua negritude, principalmente de seu black power. Ela enfeita  seu cabelo dos mais variados e criativos jeitos: com cordões, estrelas, laços e às vezes livre e vasto como o universo.

Sobre a autora: Kiusam de Oliveira é uma ativista feminista e do movimento negro. É uma artikiusamdeoliveirasta multimídia: escritora, atriz, contadora de histórias, bailarina, coreógrafa, professora de danças afro-brasileiras. Pedagoga, mestra em Psicologia e doutora em Educação pela USP. E também é Orientadora Espiritual (Iyalorixá) através do jogo de búzios e numerologia africana.

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9- A bailarina da bolha de sabão de Maria Gal

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Maria é uma menina que sonha em ser bailarina. Mas algumas pessoas dizem que ela não se parece com uma bailarina por isso não pode ser uma. Mesmo diante do preconceito, Maria tenta encontrar meios de mudar a si própria para realizar o seu sonho até que ela descobre que não é ela que precisa mudar, e sim as pessoas que a discriminam.mariagal

Sobre a autora: Baiana de Salvador, Maria Gal é, além de escritora, atriz e bailarina.

Saiba mais: site


10- Olhos d’água de Conceição Evaristo

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Nesse livro, Conceição Evaristo aborda com muita delicadeza e profundidade questões que envolvem  mulheres. è um livro que conta histórias de mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres. Sempre com um olhar atento para   seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição.

Sobre a autora: Conceição Evaristo é mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutora em conceição evaristoLiteratura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Professora, pesquisadora e referência em literatura negra brasileira. Seus livros já foram traduzidos para diversas línguas.

Saiba mais: lattes | facebook

Todos esse livros vocês encontram na InaLivros.

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Vai ser Circo de Pulgas o título. Qual o problema?!

Quem me conhece a mais tempo sabe que vir morar em São Paulo não foi Circo de Pulgastão doloroso. Houve toda uma preparação e, ao contrário do que se pensa aqui em relação a nós cariocas, nós não vamos à praia todos os dias. Às vezes chove e praia com chuva só turista que não terá condições de voltar tão cedo. Então, antes de descer na terra da garoa, passei um carnaval, voltei alguns fins de semanas para me habituar com o ar e quando vi já estava inserido nessa atmosfera.

Daí, comecei a frequentar algumas rodas e escolas de samba. Procurei conhecer coisas novas e específicas da cidade, visitei museus, bairros tradicionais, favelas, saraus e bibliotecas públicas cujos livros pudessem me aproximar da história da cidade. Aos poucos, meu olhar ia mudando sobre o concreto armado que se verticaliza próximo e ao horizonte. Quando dei por mim, parte da cidade já estava dominada, principalmente o centro antigo que traz um encanto depressivo.

Com toda essa rasgação de seda, não pense que virei paulista ou paulistano, nunca sei ao certo quem é quem. Me recuso peremptoriamente a trocar biscoito por bolacha, tangerina por mexirica ou utilizar “meu” que nada mais é que uma corruptela de “meu cumpadi”. Gozações a parte. Meu cotidiano continua repleto de carioquices. A começar pelos jornais que leio, cabe ressaltar que sou assinante do Meia-hora, tá bom pra você?! *ri*

Então, como de costume, no início da semana peguei um livro para ler e melhorar minhas indicações na InaLivros. Pelo título relutei um pouco, mas foi uma publicação da Pallas e achei melhor conferir maior atenção.

Mas atenção durante o movimento pendular é coisa para poucos. Torna-se muito mais eficaz a displicência durante a viagem. Por que tu tem que prestar atenção no lugar onde vai descer ou se há algum gatuno preparado pra dar o bote, pois aí será necessária destreza suficiente para negociar o que vai perder.

Enfim, não tinha imaginado que Manto Costa com o Circo de Pulgas iria me aproximar tanto do Rio ao me apresentar os Aruandas, Toquinha, Sete, Pincel, Elvis, personagens que ora estão na Lapa, Pedra do Sal, Senador Camará e outros cantos que me fizeram andar mais de ônibus que o necessário, nessa minha paulistana realidade. E pior, minha atenção voltou-se toda para os contos que me conduziram a outra realidade nada distante em minha mente. Pois, precisava terminar de ler aquele livro que me fez ter sensações tão diversas. Desde a risada desmesurada quando Bento dá uma volta no editor e publica o ‘Mundo Bizarro de Beato Salu’, até a emoção de presenciar Zé Menino tocando bandolim no velório de Dona Menininha. Com isso, acabei indo de ônibus até a casa do caralho.

Fui, voltei e depois voltei de novo. Cheguei atrasado no trabalho! Meu chefe que também é carioca, bufava ao me ver entrar na empresa com duas horas de atraso. Perguntou o que houve. Aleguei problema de fuso horário. Não colou e puxei o “Circo de pulgas” de dentro da bolsa, entreguei em suas mãos. Ele folheou, deu uma risadinha de lado. Começou a ler um conto aleatoriamente e ficou no escritório, enquanto eu saia de fininho. Ele ficou lá, sem atender clientes, telefonemas ou fazer outra coisa qualquer. Depois do almoço, me chamou em sua sala. Eu já sabia que ia dançar. Mas, ele só pediu o livro emprestado. Perdi uma venda, mas consegui manter o meu trabalho.

Ficou curioso, né!? “Circo das Pulgas” você encontra na InaLivros. Pode reservar. Ou tentar pegar emprestado o que ficou com o chefe.

 

 

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A descoberta do frio? Pode ser esse título mesmo.

Em São Paulo, com A Descoberta do frioo término de junho, chega o frio. É o inverno. Já era de se esperar. As pessoas começam a vestir roupas, sobre roupas, umas escuras e outras escuríssimas. Tentativa de imitar a península asiática? Com certeza. Falta de criatividade? Pode ser.

Mas criatividade não faltou a Oswaldo de Camargo que beneditinamente trouxe à baila, tal ‘frialgia’ em seu livro: ‘A descoberta do frio’. Autor de uma maestria e criatividade ímpar, que foi me guiando pela Praça Lundaré onde os poetas se encontravam e depararam-se com o frio que arrebatara o malunguinho Josué. Mas esse frio é diferente. Diferente daquele que acomete a todos. Lá, só parava no corpo dos pretos e o que é pior, em pleno verão. O sujeito se tremia, se batia e o frio não saia. De repente, ele sumia. Sumia e ninguém mais via!

E tinham aqueles que não acreditavam na existência do frio. A não ser quem sentiu. Ou quem percebeu que aquele tenebroso frio só acometia parte da população. Médicos riam, autoridades demonstravam o interesse despreocupado de sempre e a polícia vinha fazendo o seu papel como era de se esperar (aqui, a interpretação é minha).

Perto do fim da leitura, baixou em mim a tensão. Tive uma febre monumental. Será que era o frio Oswaldiano saltando as páginas e fazendo mais uma vítima na vida real? Achei que não. Tomei remédio e não passou, tive que me afastar das funções laborais e mais remédio. Nada daquele frio surdo passar. Durante o dia ainda, o corpo não aguentou e cai no sono. Logo vem o sonho com Laudino, Zé Estevão, Carol, o Bispo de Maralinga, todos reunidos na Toca das Ocaias. Acordo assustado e com frio. Vou pegar o friorento livro para terminar a leitura. Num passe de mágica, volto a temperatura normal e aquela coisa me deixa.

E a pergunta que não sai da cabeça. Por queA descoberta do frio não esteve relacionado como uma das leituras na época em que prestei o vestibular? Hoje, só vislumbro uma resposta. Deve ser o frio, deve ser o frio…

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Título? O título pode ser Fela mesmo, cara…

Num bar com um amigo, há alguns anos atrás, mais precisamente na Centralfela - esta vida puta do Brasil. Na verdade não era bem um bar. Aquilo era um pé inchado de quinta categoria. Paredes mal pintadas, cadeiras enferrujadas e o chão meio sujo. Mas um de nossos objetivos ali era a cerveja que estava bem gelada. Já era madrugada, aquela música costumeira desses ambientes. Som no talo e um casal mais pra lá do que pra cá, dançando  alucinada e ‘cambaleantemente’ pela quantidade de álcool que já deviam ter ingerido.

Com esse pano de fundo, discutíamos política e falávamos de música. Muito diversa da que invadia nossos ouvidos. Falamos de tanta coisa, mas me recordo do momento que chegamos ao encontro de Miles Davis e John Coltrane, cabe ressaltar que hei de escrever mais para frente sobre os livros de Ashley Kahn. Nesse momento, o amigo iniciado na religião dos Orixás, os entregou o título de Exús honoráveis da música internacional. Disse ainda que tal encontro deu oportunidade ao sentido. Depois entrou numa viagem de intitular Jimmi Hendrix como um Exú Mirim e a noite foi terminando.

Hoje, fico pensando no que teria falado de Fela Kuti, cantor, saxofonista, letrista, ativista, panfricanista e outras coisas mais, caso eu tivesse conseguido entender suas músicas quando o ouvi pela primeira vez. Com certeza ele também teria baixado naquela mesa para conferir o papo musical. Mas, só agora em 2015 que esse puta livro chega em minhas mãos. Com o auxílio impecável de Carlos Moore que fez sua biografia, que me bateu a vontade de me aproximar de sua música. Então, tá aí! “Fela esta  vida puta”, publicado pela editora Nandyala. Vale a pena ler e depois ouvir, ou ouvir e depois ler, ou até mesmo ler ouvindo Fela.

Biografia escrita em primeira pessoa que te dá a sensação de estar ouvindo Fela conversar contigo. É um trabalho que transmite de forma contundente a indignação de um panafricanista com os mandos e desmandos de governantes preocupados com a manutenção do status quo. Nessa puta vida, Fela expõe suas contradições e a opção que fez pela transformação que queria para a África que não foi bem compreendida em sua época. Com isso, pagou caro por denunciar Estados Marginais que são os legítimos detentores da força.

Bom, poderia ficar falando horas sobre o livro. E vale a pena, mas é melhor você ler. Não Acha? E depois continuamos esse papo.

São Paulo. 25 de maio, 2015.

léo bento

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