Vai ser Circo de Pulgas o título. Qual o problema?!

Quem me conhece a mais tempo sabe que vir morar em São Paulo não foi Circo de Pulgastão doloroso. Houve toda uma preparação e, ao contrário do que se pensa aqui em relação a nós cariocas, nós não vamos à praia todos os dias. Às vezes chove e praia com chuva só turista que não terá condições de voltar tão cedo. Então, antes de descer na terra da garoa, passei um carnaval, voltei alguns fins de semanas para me habituar com o ar e quando vi já estava inserido nessa atmosfera.

Daí, comecei a frequentar algumas rodas e escolas de samba. Procurei conhecer coisas novas e específicas da cidade, visitei museus, bairros tradicionais, favelas, saraus e bibliotecas públicas cujos livros pudessem me aproximar da história da cidade. Aos poucos, meu olhar ia mudando sobre o concreto armado que se verticaliza próximo e ao horizonte. Quando dei por mim, parte da cidade já estava dominada, principalmente o centro antigo que traz um encanto depressivo.

Com toda essa rasgação de seda, não pense que virei paulista ou paulistano, nunca sei ao certo quem é quem. Me recuso peremptoriamente a trocar biscoito por bolacha, tangerina por mexirica ou utilizar “meu” que nada mais é que uma corruptela de “meu cumpadi”. Gozações a parte. Meu cotidiano continua repleto de carioquices. A começar pelos jornais que leio, cabe ressaltar que sou assinante do Meia-hora, tá bom pra você?! *ri*

Então, como de costume, no início da semana peguei um livro para ler e melhorar minhas indicações na InaLivros. Pelo título relutei um pouco, mas foi uma publicação da Pallas e achei melhor conferir maior atenção.

Mas atenção durante o movimento pendular é coisa para poucos. Torna-se muito mais eficaz a displicência durante a viagem. Por que tu tem que prestar atenção no lugar onde vai descer ou se há algum gatuno preparado pra dar o bote, pois aí será necessária destreza suficiente para negociar o que vai perder.

Enfim, não tinha imaginado que Manto Costa com o Circo de Pulgas iria me aproximar tanto do Rio ao me apresentar os Aruandas, Toquinha, Sete, Pincel, Elvis, personagens que ora estão na Lapa, Pedra do Sal, Senador Camará e outros cantos que me fizeram andar mais de ônibus que o necessário, nessa minha paulistana realidade. E pior, minha atenção voltou-se toda para os contos que me conduziram a outra realidade nada distante em minha mente. Pois, precisava terminar de ler aquele livro que me fez ter sensações tão diversas. Desde a risada desmesurada quando Bento dá uma volta no editor e publica o ‘Mundo Bizarro de Beato Salu’, até a emoção de presenciar Zé Menino tocando bandolim no velório de Dona Menininha. Com isso, acabei indo de ônibus até a casa do caralho.

Fui, voltei e depois voltei de novo. Cheguei atrasado no trabalho! Meu chefe que também é carioca, bufava ao me ver entrar na empresa com duas horas de atraso. Perguntou o que houve. Aleguei problema de fuso horário. Não colou e puxei o “Circo de pulgas” de dentro da bolsa, entreguei em suas mãos. Ele folheou, deu uma risadinha de lado. Começou a ler um conto aleatoriamente e ficou no escritório, enquanto eu saia de fininho. Ele ficou lá, sem atender clientes, telefonemas ou fazer outra coisa qualquer. Depois do almoço, me chamou em sua sala. Eu já sabia que ia dançar. Mas, ele só pediu o livro emprestado. Perdi uma venda, mas consegui manter o meu trabalho.

Ficou curioso, né!? “Circo das Pulgas” você encontra na InaLivros. Pode reservar. Ou tentar pegar emprestado o que ficou com o chefe.

 

 

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About the author

Léo O'Bento é educador, produtor cultural e ultimamente tem a estranha mania de transformar sonhos em realidades.

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