Título? O título pode ser Fela mesmo, cara…

Num bar com um amigo, há alguns anos atrás, mais precisamente na Centralfela - esta vida puta do Brasil. Na verdade não era bem um bar. Aquilo era um pé inchado de quinta categoria. Paredes mal pintadas, cadeiras enferrujadas e o chão meio sujo. Mas um de nossos objetivos ali era a cerveja que estava bem gelada. Já era madrugada, aquela música costumeira desses ambientes. Som no talo e um casal mais pra lá do que pra cá, dançando  alucinada e ‘cambaleantemente’ pela quantidade de álcool que já deviam ter ingerido.

Com esse pano de fundo, discutíamos política e falávamos de música. Muito diversa da que invadia nossos ouvidos. Falamos de tanta coisa, mas me recordo do momento que chegamos ao encontro de Miles Davis e John Coltrane, cabe ressaltar que hei de escrever mais para frente sobre os livros de Ashley Kahn. Nesse momento, o amigo iniciado na religião dos Orixás, os entregou o título de Exús honoráveis da música internacional. Disse ainda que tal encontro deu oportunidade ao sentido. Depois entrou numa viagem de intitular Jimmi Hendrix como um Exú Mirim e a noite foi terminando.

Hoje, fico pensando no que teria falado de Fela Kuti, cantor, saxofonista, letrista, ativista, panfricanista e outras coisas mais, caso eu tivesse conseguido entender suas músicas quando o ouvi pela primeira vez. Com certeza ele também teria baixado naquela mesa para conferir o papo musical. Mas, só agora em 2015 que esse puta livro chega em minhas mãos. Com o auxílio impecável de Carlos Moore que fez sua biografia, que me bateu a vontade de me aproximar de sua música. Então, tá aí! “Fela esta  vida puta”, publicado pela editora Nandyala. Vale a pena ler e depois ouvir, ou ouvir e depois ler, ou até mesmo ler ouvindo Fela.

Biografia escrita em primeira pessoa que te dá a sensação de estar ouvindo Fela conversar contigo. É um trabalho que transmite de forma contundente a indignação de um panafricanista com os mandos e desmandos de governantes preocupados com a manutenção do status quo. Nessa puta vida, Fela expõe suas contradições e a opção que fez pela transformação que queria para a África que não foi bem compreendida em sua época. Com isso, pagou caro por denunciar Estados Marginais que são os legítimos detentores da força.

Bom, poderia ficar falando horas sobre o livro. E vale a pena, mas é melhor você ler. Não Acha? E depois continuamos esse papo.

São Paulo. 25 de maio, 2015.

léo bento

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About the author

Léo O'Bento é educador, produtor cultural e ultimamente tem a estranha mania de transformar sonhos em realidades.

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