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4 Livros sobre samba

SAMBA.CAPA

Bom, o carnaval já chegou e eu admiro muito quem tem energia suficiente para acompanhar um bloco, sair para outro, fazer aquela brincadeira bonita e dar continuidade na folia. Ainda vou além, admiro muito quem, apesar de tudo isso, ainda consegue acordar no dia seguinte como se nada tivesse acontecido, ir ao próximo samba e se divertir mais um pouquinho.

É…estou um jovem senhor e há muito os livros me acompanham nesse período do ano. E hoje o meu samba não é como antigamente. De qualquer forma, o sábado de carnaval sempre me bastou, principalmente por conta de minhas limitações físicas de querer ficar igual morcego com síndrome de passarinho. Por isso, trago 4 livros sobre samba  para você e a criançada se deliciarem nesse carnaval.  Sei que ficou com curiosidade para saber o que é um morcego com síndrome de passarinho.  Então, leia até o final!

1) O MENINO A GOIABEIRA E A PORTA-BANDEIRA

livros sobre samba - MENINO.GOIABEIRA.

Esse é um  livro infantil de autoria de Alexandre Henderson, jornalista e apresentador de um quadro do Programa “Como Será”, que narra a história de Júnior e Suelen, ambos moradores da Comunidade Renascer, local que tem um visual muito bonito de onde pode-se ver o mar com todo o seu esplendor. Ele é intérprete e ela porta-bandeira mirins da Escola de Samba que carrega o nome da comunidade. Ele é um menino muito criativo que vive versando sobre tudo o que acontece ao seu redor.  Aos pés da goiabeira, os amigos se deliciam com seus frutos e Júnior faz suas rimas encantando Suelen ao falar das primeiras gerações que ergueram a comunidade e semearam as plantas que hoje os alimenta.

Indicamos para crianças que estão precisando de um ‘empurrãozinho’ para por em prática seus dotes artísticos.

Onde encontrar: InaLivros


2) PARTIDO ALTO – SAMBA DE BAMBA

livros sobre samba - PARTIDO.ALTO

 

A obra é iniciada com uma bela voadora no peito da indústria de entretenimento de massa que é exposta como descompromissada com a cultura ‘tradicional’. Nei Lopes inclusive fala que a indústria, na busca incessante por lucro, criou o ‘pagode paulista’, uma invenção  que de pagode, na origem da palavra, não tem muita coisa. Enfim, é um livro que trás grandes provocações.

O livro se origina da adaptação de uma monografia que recebeu menção honrosa no concurso Sílvio Romero, 1988.  Nei Lopes discorre sobre a tradição carioca do samba improvisado e cantado em desafio. Além disso,  também aponta as possíveis origens do que é hoje o Partido Alto, bem como a característica guerrilheira da cultura africana diaspórica que utiliza a cultura hegemônica para sobreviver se recriando e frutificando sua existência.

Indicamos para todos os amantes do samba tradicional e todos aqueles que querem conhecer mais sobre o assunto.

Onde encontrar: InaLivros


 3) SAMBA MENINO – A HISTÓRIA DO SAMBA CONTADA PARA A CRIANÇADA

SAMBA.MENINO.BLOG

 

Livro porreta de Raphael Moreira, que é publicitário, músico e produtor cultural. Em ‘Samba Menino’ o autor teve a preocupação de fazer uma viagem didática com Semba, um menino que chegou ao Brasil escravizado trazendo de sua terra natal  a dança da umbigada. Em tempo, foi rebatizado, passando a se chamar Samba e aos poucos foi se popularizando e se tornando parte da Cultura Brasileira.

Aí ele conhece uma galera da pesada que vai desde Tia Ciata a João da Baiana, de Sinhô a Ismael Silva. Pelas companhias parece que esse menino, não estava de bobeira, não. E com a criação e uso do rádio, ele vai crescendo e conhecendo o Brasil. Se mete no meio da folia com Zé Pereira, até que os blocos viram Escolas de Samba, tomando as dimensões enormes que conhecemos hoje e ele ali, acompanhando tudo.  Com a televisão é que ninguém parou mais esse menino. E até no espaço ele foi parar, acordando robô.

O livro vem acompanhado de um CD com excelente produção e músicas muito bem compostas. Ah, ele é bilíngue – (português x inglês). Vai dizer que o Samba não merecia?!

Indicamos para jovens que adultos que querem percorrer a história do samba de uma forma leve e divertida.

Onde encontrar: InaLivros


 

4) O SAMBA DE IRAJÁ E OUTROS SUBÚRBIOS

LIVROS SOBRE SAMBA - SAMBA.DE.IRAJA.

Esse livro é uma análise sobre a obra de Nei Lopes, um intelectual que se faz artista, inquieto produtor que mistura em si composições interpretadas e gravadas por inúmeros cantores populares, escritor, historiador, advogado, partideiro, religioso e como não se bastasse, carioca. Mas esse não é um carioca qualquer, como o próprio autor Cosme Elias propõe. Ao apresentar o samba na obra de Nei, o autor o identifica como veículo de afirmação de identidade carioca e negra. No entanto, o intuito dessa obra não é esgotar o debate sobre a construção da identidade nacional, mas dá sinais sobre alguns aspectos dessa identidade.

Para isso utiliza a capital do Rio de Janeiro como pano de fundo, num período em que obras de embelezamento foram promovidas por Pereira Passos às custas da expulsão da população negra e empobrecida do centro para regiões periféricas da cidade e da  criação de núcleos urbanos nas proximidades das linhas de trem e bonde. Essa contextualização serve para mostrar a relação desse movimento com a  criação de Escolas de Samba e algumas décadas depois, mais precisamente em 1930, a legalização dessas agremiações e a oficialização do carnaval por parte do Estado.

Essa oficialização, como aponta o autor, teve duas leituras distintas. A primeira de que a população que fazia o Carnaval, foi utilizada como massa de manobra ao se aliar ao Estado e aceitar alterações nas estruturas das escolas e dos desfiles. E a outra de que o Estado ao oficializar essa festa popular admitia a existência de um povo negro.

Nei Lopes na qualidade de cantor, compositor e pesquisador entra com tudo nesse debate,sendo ele sujeito e também predicado do universo do samba. Agora, é o seguinte, não pense que irá encontrar uma biografia de Nei nesse livro. O que terá aqui é uma análise de sua obra e pronto!

 

Indicamos para quem quer uma reflexão mais profunda sobre as origens do samba carioca e uma análise com contextualização histórica da obra de Nei Lopes. Um livro para pesquisadores do samba.

 

Onde encontrar: InaLivros

 


 

Esses foram os nossos 4 livros sobre samba. Tem samba pra todos os gostos. Então, se você chegou até aqui e quer realmente saber o que um morcego com síndrome de passarinho, vai saber agora. Porque isso não está escrito em livro.  Experimente sair de casa no sábado pela manhã bem cedinho e curta o samba até o dia seguinte. Tudo isso sem pausa para descanso. Vire a noite como uma morcego e curta o dia como um passarinho. Aí, quando você acordar, vai ver que só um livro pode curar a sua ressaca e cansaço.

Veja Também:

11 Livros de Contos Negros – InaLivros Listas

CAPA - 11 livros de contos negros

Dessa vez elaboramos uma lista quentíssima com 11 livros de contos negros que você precisa conhecer. São livros com protagonismo negro na escrita e nos personagens (todos trazem as vivências de pessoas negras em destaque). Você irá se encantar, se identificar e conhecer mais sobre o cotidiano da população negra retratado literariamente sem estereótipos ou inferiorizações.

Confira a lista:

1) OLHOS D’ÁGUA

contos negros - olhos d'água

 O olho cheio de água que compõe a capa dessa obra não anuncia o soco, o pontapé e aquela cusparada na cara que está por vir. Os textos reunidos nessa obra, outrora publicados nos Cadernos Negros, machucam e maltratam. Todavia, apresentam de forma elegante e necessária, as mazelas que muitos fingem não ver. Se assustou com a apresentação? Não se intimide, Conceição é uma autora que precisa ser lida e entendida. Vamos lá, coragem!

conceição evaristo

Sobre a autora: Conceição Evaristo é mestra em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Professora, pesquisadora e referência em literatura negra brasileira. Seus livros já foram premiados e  traduzidos para diversas línguas.

Onde encontrar: InaLivros

 

2) O TAPETE VOADOR

contos negros - o tapete voador

 O Tapete Voador, título que também nomeia um dos instigantes contos de Cristiane Sobral, apresenta as inquietações e a aceitação de normas impostas historicamente à negras e negros no Brasil, mas que pode ser ampliado para todos que sofreram o processo diaspórico nas américas. A negação de sua identidade e a do grupo ao qual pertence para ascender socialmente, ainda é uma tônica em determinados meios. Em contrapartida, essa visão vem se alterando de forma cada vez mais rápida na sociedade brasileira. E essas mudanças estão de acordo com a valorização da identidade negra e suas vivências que estão retratadas no cotidiano em que se inserem os textos desse livro, bem como as críticas direcionadas àqueles que não satisfeitos em serem estigmatizados, resolvem também colocar em prática o mito do homem negro sensual e procriador.

cristiane sobral

Sobre a autora: Cristiane Sobral é atriz, escritora e poeta. Estudou teatro no SESC do Rio de Janeiro, em 1989. Estreou na literatura em 2000, publicando textos nos Cadernos Negros. Foi crítica teatral da revista Tablado, de Brasília. Fez mestrado em Artes e pós-graduação em Educação com ênfase no ensino de Artes. Trabalhou como Assessora de Cultura da Embaixada de Angola no Brasil.

Onde encontrar: InaLivros

 

3) MULHER MAT(R)IZ

contos negros - mulher matriz

 A obra Mulher Matriz reúne contos escritos e publicados ao longo dos mais de 20 anos que a autora tem dedicados a literatura negra. Miram Aves deu espaço em seus textos às mulheres negras em sua diversidade, expressando relações de amor, vivências, afetividades e muitas paixões femininas.

mirian alves

Sobre a autora: Miriam Alves é escritora e poeta com uma longa trajetória literária. Participa frequentemente de debates e palestras em universidades nacionais e estrangeiras com temas vinculados às questões da literatura negra com ênfase especial a  literatura negra feminina.

 

 

4) SÓ AS MULHERES SANGRAM

contos negros - só as mulheres sangram

Só as Mulheres Sangram nos apresenta os dilemas de um cotidiano negro urbano e rural, onde as principais vivências retratam a mulher negra em diversos espaços geográficos, tais como as ruas, interior, presídios, morros e favelas. Mais um livro de contos negros focado na vivência feminina negra em sua multiplicidade.

lia vieira

Sobre a autora: Lia Vieira é escritora e doutora em educação, com longa trajetória literária. Possui outras obras publicadas, assim como textos, tanto em livros individuais, como em coletâneas como os Cadernos Negros.

 

 

5) CASA DE PORTUGAL

contos negros - casa de portugal

Em sua estreia com os contos reunidos em um livro autoral, o autor já calejado em publicar seus textos nas coletâneas dos Cadernos Negros nos traz aquelas lembranças gostosas que as reuniões de famílias pretas enormes nos proporcionam.  São contos que remetem àquele papo furado do ponto de ônibus, e o que falar daquela partida de futebol no campinho da esquina onde temos de um lado o time dos casados e do outro o dos solteiros? Casa de Portugal é um prato cheio de afetos e contradições, por isso não poderia faltar nesse seleção de livros de contos negros.

SERGIO ballouk

Sobre a autor: Sergio Ballouk é formado em Publicidade e Propaganda pela Cásper Líbero, fez Pós-graduação em Gestão Pública pela Universidade Mogi das Cruzes e participou do curso de Criação Literária – Museu Lasar Segall.

 

Onde encontrar: InaLivros

6) CONTOS ESCOLHIDOS

contos negros - contos escolhidos

Temas como amor, ódio, amizade, indiferença e tantos outros alimentam os contos aqui publicados. O autor demonstra as formas como o racismo, seja ele dissimulado ou não, atravessam as situações vivenciadas por seus personagens. O leitor encontra um acúmulo de retratos bem elaborados das desvirtudes que acometem milhões de brasileiros. O livro trás uma seleção de contos escolhidos dentre a sua ampla produção literária e recomendamos como uma forma de conhecer um pouco da obra em prosa do autor.

 

CUTI

Sobre a autor: Cuti formou-se em Letras (Português-Francês) na Universidade de São Paulo, em 1980. Mestre em Teoria da Literatura e Doutor em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem – Unicamp (1999-2005). Foi um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura, de 1983 a 1994, e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros, de 1978 a 1993.

 

Onde encontrar: InaLivros

 

 7) O REGRESSO DO MORTO

contos negros - O regresso do morto

A primeira edição de ” O regresso do Morto” foi publicada em 1989, chegou nesses lados de cá da “Calunga Grande”, em 2016. O único autor estrangeiro nessa seleção, Suleiman aborda em seus contos o cotidiano de pessoas pobres das cidades, dos campos e de mineiros que fazem longas viagens para tirar seu pouco sustento e que alimentam diversas fantasias. A dor e a resistência também têm lugar em seus textos ao abordar a violência que é sobreviver em condições subumanas. Pra quem tem interesse em conhecer um pouco sobre a literatura africana, especificamente a moçambicana, indicamos esses contos negros.

SULEIMAN

Sobre a autor: Suleiman Cassamo é de Moçambique. Escritor e professor, tem licenciatura em Engenharia Mecânica e é membro da Associação de Escritores Moçambicanos.

 

Onde encontrar: InaLivros

8) REZA DE MÃE

contos negros - Reza de mãe

Mais uma vez o Allan da Rosa nos surpreende com a sintaxe repleta de originalidades. Suas personagens vivenciam realidades periféricas encontradas facilmente na cidade de São Paulo, mas que poderiam refletir qualquer  periferia das capitais brasileiras, sem perder o valor que compõe cada texto. Valor esse que traz o cotidiano das ruas, quintais, becos, vielas, campos de várzea e outros espaços comuns à população negra.

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Sobre a autor: Allan da Rosa é formado em História e tem mestrado em Cultura e Educação. Autor, entre outros, de A Calimba e a Flauta – Versos Úmidos e Tesos (livro-CD de poesia erótica, com Priscila Preta, 2002), Pedagoginga, Autonomia e Mocambagem (Ensaio sobre Cultura Negra e Educação Popular, 2013) e Mukondo Lírico (livro-CD, com Giovanni Di Ganzá, 2014).

Onde encontrar: InaLivros

 

9) CIRCO DE PULGAS

contos negros - Circo de Pulgas

Circo de Pulgas nos aproxima tanto do Rio de Janeiro ao nos apresentar os Aruandas, Toquinha, Sete, Pincel, Elvis, personagens que ora estão na Lapa, Pedra do Sal, Senador Camará e outros cantos da cidade. O livro nos faz ter sensações tão diversas que podem ir desde a risada desmesurada quando Bento dá uma volta no editor e publica o ‘Mundo Bizarro de Beato Salu’, até a emoção de presenciar Zé Menino tocando bandolim no velório de Dona Menininha. Um livro de contos negros repleto de personagens marcantes, que ganham vida na narrativa leve e descontraída de Manto Costa.

MANTO

Sobre a autor: Manto Costa é jornalista, historiador e escritor. Iniciou a carreira literária publicando um romance logo de cara, Meu Caro Júlio. Depois participou da antologia Terra de Palavras e sua obra mais recente foi Circo de Pulgas.

Onde encontrar: InaLivros

10) O CARRO DO ÊXITO

contos negros - O carro do êxito

Essa é uma edição revisada do livro que marcou a estreia de Oswaldo de Camargo nos contos, em 1972. Detentor de uma técnica refinada traz em um de seus contos, Maralinga, a ingenuidade do menino pequeninho que é deixado pelo pai, recém-viúvo, na casa de um doutor que irá cuidar para que “se torne alguém na vida”. Não poderia faltar nesse seleção de contos negros uma obra de Oswaldo de Camargo, um dos principais e mais longevos  escritores negros brasileiros.

osawaldo

 

Sobre o autor: Oswaldo de Camargo é jornalista, poeta, contista, novelista e músico. Foi um dos fundadores da coletânea Cadernos Negros e acumula prêmios por sua atuação literária. Atua como consultor, revisor e palestrante. 

Onde encontrar: InaLivros

 

11) MUITO COMO UM REI

 

contos negros - Muito como um Rei

De forma direta, Fábio Mandingo aborda as violências, amores não correspondidos, feridas e poucas alegrias nos contos de Muito como um Rei. Seu retrata as suas vivências nas periferias de Salvador.

Fábio Mandingo 2

Sobre a autor: Fábio Mandingo aprendeu a fazer ele mesmo, ao som do punk rock, virou homem na Capoeira e no Axé.  Pós-graduando em História Social do Negro. Publicou os livros de contos: Salvador Negro Rancor (2011), Morte e vida Virgulina (2013) e Muito como um rei (2015).

Onde encontrar: InaLivros


Ufa! Quanta coisa boa. A seleção que fizemos apresenta diversas interpretações e olhares sobre as vivências da população negra. Esperamos ter auxiliado a ampliar o olhar sobre novas escritas e abordagens sobre a produção literária de autores negros.  Outros livros de contos negros podem ser encontrados em nossa  loja virtual.

E se você chegou até aqui em nossa listinha, não custa nada nos dizer um que você já leu. Ou até mesmo nos indicar outros livros e autores. Vamos lá, é rapidinho…

Veja Também:

45 livros de autoras e autores negros lançados em 2016 (+ 10 Bônus)

45 livros de autoras e autores negros

O ano de 2016 vai deixar saudades para alguns, outros tentarão esquecê-lo, mas nós da InaLivros precisamos registrar as maravilhas que ele trouxe. Com isso, elencamos uma série de títulos que nasceram durante a sua passagem. Não é de hoje que a produção das autoras negras e negros brasileiros vem crescendo. Fique com o levantamento produzido  pela InaLivros para que você tome conhecimento das novidades e relembre os títulos lançados ou reeditados ao longo de 2016. Tem literatura para todos os gostos.  Agora é com você!

 

JANEIRO

 

1. O Sabá do Sertão – feiticeiras, demônios e jesuítas no Piauí Colonial (1750 – 1758)

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Autora: Carolina Rocha

Gênero: História

Onde encontrar: Paco Editorial

 

 

 

 

2. Tudo Eu! – confissões de uma mãe sincera

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Autora: Elisama Santos

Gênero: Maternidade, Mulheres e Família

Onde encontrar: Blog Tudo Eu

 

 

 

3.  Des in teiro

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Autor: Guellwaar Adún

Gênero: Poesia

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

 

4. Xirê – a brincadeira lírica

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Autor: dú oliveira

Gênero: Poesia

 

 

 

 

 

 

 

5. Em reticiências

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Autora: Thayaneddy Alves

Gênero: Poesia

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 


 

FEVEREIRO

 

6. Bucala – a pequena princesa do quilombo Cabula

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Autor: Davi Nunes

Gênero: Infantil

Onde encontrar: InaLivros

 

 


 

MARÇO

7. Atlântico Dor – poemas 1979-2014

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Autor: Abelardo Rodrigues

Gênero: Poesia

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

8. Chica da Silva – romance de uma vida

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Autora: Joyce Ribeiro

Gênero: Romance

 

 

 

 

 

 9. Negra nua crua

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Autora: Mel Duarte

Gênero: Poesia

 

 

 

 

 

 10. Casa de Portugal

casa-de-portugal-sergio

 

Autor: Sérgio Ballouk

Gênero: Contos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 11. Sopapo Poético

sopapo-poetico

 

Autoria: Produção Coletiva (vários autores)

Gênero: Poesia

 

 

 

 

 

12. Quilombololando

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Autora: Heloísa Pires Lima

Gênero: Infantil

 

 

 

 


 

ABRIL

 13. Terça Afro – Território de Afetos

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Autoria: Produção Coletiva (vários autores)

Organização: Whellder Guelewar e Ana Carolina de Jesus

Gênero: Ensaios

Onde encontrar: InaLivros

 

* O livro acompanha um DVD.

 

 


 

MAIO

 14. Carro de Êxito

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Autor: Oswaldo de Camargo

Gênero: Contos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

*Reedição do livro lançado originalmente em 1972.

 

 

15. Guardei no armário – a experiência de um jovem homossexual, negro e ex-evangélico na sétima maior cidade do mundo

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Autor: Samuel Gomes

Gênero: Romance

Onde Encontrar: InaLivros

 

 

 

 

16. Mundo Cor-de-rosa

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Autora: Roberta Martins

Gênero: Infantil

 

 

 

 


 

JUNHO

 

17. Mãos de Godê

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Autor: Binho Cultura

Gênero: Infantil

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 18. Sobre-Viventes!

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Autora: Cidinha da Silva

Gênero: Crônica

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

19. Histórias de leves enganos e parecenças

historias-leves-enganos-conceicao

 

Autora: Conceição Evaristo

Gênero: Contos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

 20. Meu pai vai me buscar na escola

meu-pai-vai-me-juniao

 

Autor: Junião

Gênero: Infantil

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 21. Lino Guedes – seu tempo e seu perfil

lino-guedes-oswaldo

 

Autor: Oswaldo de Camargo

Gênero: Ensaio

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

22. A(r)mada Negra – Poemas

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Autor: Sidney de Paula Oliveira

Gênero: Poesia

Onde encontrar: Quilombhoje

 

 

 

 


 

JULHO

 23. Carolina

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Autores: Sirlene Barbosa e João Pinheiro

Gênero: História em Quadrinhos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 24. Muzimba – na humildade sem maldade

muzimba

 

Autor: Akins Kintê

Gênero: Poesia

Onde encontrar: InaLivros

 

* Capa da segunda edição lançada em dezembro/2016 com adição de alguns poemas.

** Acompanha CD.

 

 25. Terra de Gente

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Autor: Rás Sidmar

Gênero: Contos

 

 

 

 


 

AGOSTO

 26. Rapistórias – crônicas da cultura de rua

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Autor: Edson de Souza

Gênero: Crônicas

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 27.Encruzilhada

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Autor: Marcelo d’Salete

Gênero: História em Quadrinhos

Onde encontrar: InaLivros

 

*Reedição

 

 


 

SETEMBRO

 28.Água Negra e Outras Águas

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Autora: Lívia Natália

Gênero: Poesia

 

 

 

 

 


 

OUTUBRO

 29. Contos Escolhidos

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Autor: Cuti

Gênero: Contos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 30. Letra e tinta – 10 contos vencedores do Prêmio Malê de Literatura

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Autoria: Produção Coletiva (vários autores)

Gênero: Contos

Onde encontrar: Malê

 

 

 

31. Mulheres Incríveis

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Autora: Elaine Marcelina

Gênero: Contos, Poesias e Depoimentos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

* Reedição revista e reorganizada.

 

 

32. Primavera – tetralogia das estações

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Autora: Naiara Paula

Gênero: Romance

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 


 

NOVEMBRO

 33. Canções de Amor e Dengo

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Autora: Cidinha da Silva

Gênero: Poeaia

 

 

 

 

 34. O tapete voador

 

Autora: Cristiane Sobral

Gênero: Contos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 35. Esboços de um tempo presente

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Autora: Rosane Borges

Gênero: Ensaios

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

 36. De lágrimas, revides e futuros

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Autor: Vagner Souza

Gênero: Poesia

Onde encontrar: Wagner Souza

 

 

 

 

 37. Reza de Mãe

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Autor: Allan da Rosa

Gênero: Contos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

38. Histórias de Sacis

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Autoria: Produção Coletiva (vários autores)

Organização: Egídio Trambaiolli Neto

Gênero: Contos infantojuvenil

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

39. Entrando no clima – chuva, chuvica, chuvarada e outras meteorologices

 

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Autora:  Maju Coutinho

Gênero: Ambiental

 

 

 

 

 

 


 

DEZEMBRO

 40. As coisas simples da vida

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Autora: Elaine Marcelina

Gênero: Infantil

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

41. Insubmissas Lágrimas de Mulheres

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Autora: Conceição Evaristo

Gênero: Poesia

Onde encontrar: InaLivros

 

*reedição

 

42. {Re} Olhar – acolhendo quem somos e os filhos que temos

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Autora: Elisama Santos

Gênero: Maternidade, Mulheres e Família

Onde encontrar: Blog Tudo Eu

 

 

 

 

43. Lendas de Dandara

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Autora: Jarid Arraes

Gênero: Fantasia

 

 

 

 

 

44. Eu Não Quero Flores de Plástico

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Autora: Ana Cruz

Gênero: Poesia

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

45. Cadernos Negros volume 39 – Poemas afro-brasileiros

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Autoria: Produção coletiva (vários autores)

Organização: Esmeralda Ribeiro e Márcio Barbosa

Gênero: Poesia

Onde encontrar: Quilombhoje

 

 

 


E aí, gostou? Até aqui apresentamos os 45 livros que autoras e autores negros publicaram de norte a sul do país. Mas a gente sempre quer mais, não é mesmo? De agora em diante, acompanhe a nossa lista  BÔNUS com 10 livros de escritoras e escritores negros africanos e na diáspora que foram lançados no Brasil em 2016!

ESTRANGEIROS

1. Mulheres, Raça e Classe

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Autora: Angela Davis

Gênero: Ensaios

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

2. Casa de Palavras – Uma história de amor

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Autora: Rebecca Walker

Gênero: Romance

 

 

 

 

3. Voltar para casa

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Autora: Toni Morrison

Gênero: Romance

 

 

 

 

4. Sem gentileza

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Autora: Futhi Ntshingila

Gênero: Romance

 

 

 

 

 

5. Sangue negro

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Autora: Noémia de Sousa

Gênero: Poesia

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

6. O Pomar das almas perdidas

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Autora: Nadifa Mohamed

Gênero: Romance

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

7. O Grande Encontro

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Autora: Maria Celestina Fernandes

Gênero: Infantil

 

 

 

 

8. Orgia dos Loucos

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Autora:Ungulani Ba Ka Khosa

Gênero: Contos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

9. Má Feminista

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Autora: Roxane Gay

Gênero: Ensaios

 

 

 

 

 

10. O regresso do morto

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Autor: Suleiman Cassamo

Gênero: Contos

Onde encontrar: InaLivros

 

 

 

 

 


Agora sim! Listamos 55 lançamentos literários no Brasil com autoria negra. Sem dúvidas, essa lista é apenas uma parcela do que foi publicado por autoras e autores negros neste ano. Nada mal não é? Se você já conhece algum desses títulos ou lembra de outros lançamentos do ano que não estão listados, deixe seu comentário.

Quer conhecer mais livros de autoria negra? Acesse a loja virtual da InaLivros: www.inalivros.com

 

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Desafio Literário da InaLivros

Olá pessoal!

A InaLivros aproveita o início do ano para lançar um desafio. Mas, não é um desafio qualquer. A ideia é que ao longo do ano nós possamos interagir sobre o que estamos lendo e indicar livros de acordo com determinadas classificações.

Nem sempre temos condições de ler dez livros em um ano, de qualquer forma, alguns títulos podem atender mais de uma categoria. Está lançado o desafio!

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Escrevam nos comentários a conclusão de cada desafio apontando o título e a categoria.

Aproveitem!

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Charles, Carlos ou Lito? Pichón

Hoje, terminei de ler Pichón. Livro instigante com características de um romance policial. Tantas foram minhas angústias ao ter que me afastar de suas páginas para agitar as coisas do dia-a-dia e não terminá-lo de uma só vez. Mas vamos lá! A vontade era ter uma máquina do tempo para acompanhar Carlos Moore em muitas das passagens de sua vida. Não consegui isso. Mas o livro me proporcionou uma aproximação tamanha que me vi moleque em Lugarenho. Corria de um lado para o outro, admirando os Jorocóns. Queria pular as encrencas com a mãe, apanhar não é nada bom. Ouvi os tambores dos Clubes Negros e senti a emoção de viajar de avião pela primeira vez, direto para Nova York. Lá, a loucura americana e as facilidades subiram à cabeça. Sorte ter encontrado uma Livraria Afrocentrada e uma moça. Quem era a moça? Maya Angelou, tá bom pra você? Pra mim, não. Se eu continuar terei de falar de vários outros encontros, que Carlos foi proporcionando, Malcolm X, Kwame Ture, Abdias do Nascimento, Aimé Cesaire, Fela Kuti e tantos outros. Não nessa ordem e nem todos na terra de Tio Sam. Mas se quiser saber mais, sobre esses encontros quase inverossímeis. Como se deu o retorno à Cuba, a retirada estratégica para não virar comida de Pichón, opa – urubu, a coragem desse homem de sorriso e gestos carregados de ternura. Mas firme ao defender suas convicções. Faça como eu e tantos outros estão fazendo. Leia o livro. Simples assim!

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Lançamento da autobiografia de Carlos Moore – Pichón

Essa semana, a InaLivros promove, em parceria com o Terça Afro,  um grande evento na Zona Norte de São Paulo: o lançamento de Pichón – a autobiografia de Carlos Moore.

O projeto Terça Afro, em Agosto, completa 3 anos de existência. Dentro deste período muitas foram as rodas, as circularidades e possibilidades de troca que foi propiciado nos mais diferentes e marcantes encontros, sempre com um eixo principal: o universo negro!

capapichonE para um mês tão especial, a Livraria Itinerante – InaLivros e a Nandyala Editora se juntam a eles para celebrar esse momento especial com um grande evento. Em um momento especial e comemorativo,  mantendo o eixo central (o universo negro) do projeto, teremos a imensa honra de convidar a todos para  o lançamento de Pichón, livro autobiográfico de Carlos Moore  importante etnólogo, cientista político e uma das grandes referências modernas da luta antirracista.

Em meio à sua trajetória, Carlos Moore nos relata memórias de Malcolm X, Alex Haley,  Abdias do Nascimento, Miriam Makeba, Fela Kuti, Lélia Gonzalez, Aimé Cesairé, Cheikh Anta Diop e tantas outras referências que serão evocadas em nossa roda!

O livro será vendido pela InaLivros, com o preço de R$40,00 e aceitaremos cartões de crédito e débito (exceto bandeira ELO).  Outros livros de autoria de Carlos Moore também estarão disponíveis.

Convidamos a todos para chegarem e celebramos este momento com o melhor que a Terça Afro pode propor: encontro, diálogo, troca e vivência negra!! A InaLivros tem a honra de fazer parte dessa história!

A discotecagem do evento ficará por conta de Whellder Guelewar, com o melhor do afrobeat e muito Fela Kuti pra entrarmos no clima!

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Dia 20/08 a partir das 19hrs.
Local: Instituto Cultural Samba Autêntico
Endereço: Rua Icatuaçu, 157.

Seguem as possibilidades de trajeto…

COMO CHEGAR!

Metrô Barra Funda: Lotação Jardim Tereza
Referência: Avenida João Paulo x Av. Itaberaba

Metrô Santana: Ônibus Term. Cachoeirinha 971X, descer ultimo ponto da Av. Mirim e pegar a lotação Pirituba 8199/10
Referência: Av. Itaberaba x Av. João Paulo

Metrô Santana: Ônibus Vila Penteado 971M
Referência: Av. João Paulo x Av. Itaberaba

Terminal Cachoeirinha: Lotação Pirituba 8199/10
Referência: Av. Itaberaba x Av. João Paulo

Terminal Cachoeirinha: Ônibus Vila Penteado 971M
Referência: Av. João Paulo x Av. Itaberaba

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Vai ser Circo de Pulgas o título. Qual o problema?!

Quem me conhece a mais tempo sabe que vir morar em São Paulo não foi Circo de Pulgastão doloroso. Houve toda uma preparação e, ao contrário do que se pensa aqui em relação a nós cariocas, nós não vamos à praia todos os dias. Às vezes chove e praia com chuva só turista que não terá condições de voltar tão cedo. Então, antes de descer na terra da garoa, passei um carnaval, voltei alguns fins de semanas para me habituar com o ar e quando vi já estava inserido nessa atmosfera.

Daí, comecei a frequentar algumas rodas e escolas de samba. Procurei conhecer coisas novas e específicas da cidade, visitei museus, bairros tradicionais, favelas, saraus e bibliotecas públicas cujos livros pudessem me aproximar da história da cidade. Aos poucos, meu olhar ia mudando sobre o concreto armado que se verticaliza próximo e ao horizonte. Quando dei por mim, parte da cidade já estava dominada, principalmente o centro antigo que traz um encanto depressivo.

Com toda essa rasgação de seda, não pense que virei paulista ou paulistano, nunca sei ao certo quem é quem. Me recuso peremptoriamente a trocar biscoito por bolacha, tangerina por mexirica ou utilizar “meu” que nada mais é que uma corruptela de “meu cumpadi”. Gozações a parte. Meu cotidiano continua repleto de carioquices. A começar pelos jornais que leio, cabe ressaltar que sou assinante do Meia-hora, tá bom pra você?! *ri*

Então, como de costume, no início da semana peguei um livro para ler e melhorar minhas indicações na InaLivros. Pelo título relutei um pouco, mas foi uma publicação da Pallas e achei melhor conferir maior atenção.

Mas atenção durante o movimento pendular é coisa para poucos. Torna-se muito mais eficaz a displicência durante a viagem. Por que tu tem que prestar atenção no lugar onde vai descer ou se há algum gatuno preparado pra dar o bote, pois aí será necessária destreza suficiente para negociar o que vai perder.

Enfim, não tinha imaginado que Manto Costa com o Circo de Pulgas iria me aproximar tanto do Rio ao me apresentar os Aruandas, Toquinha, Sete, Pincel, Elvis, personagens que ora estão na Lapa, Pedra do Sal, Senador Camará e outros cantos que me fizeram andar mais de ônibus que o necessário, nessa minha paulistana realidade. E pior, minha atenção voltou-se toda para os contos que me conduziram a outra realidade nada distante em minha mente. Pois, precisava terminar de ler aquele livro que me fez ter sensações tão diversas. Desde a risada desmesurada quando Bento dá uma volta no editor e publica o ‘Mundo Bizarro de Beato Salu’, até a emoção de presenciar Zé Menino tocando bandolim no velório de Dona Menininha. Com isso, acabei indo de ônibus até a casa do caralho.

Fui, voltei e depois voltei de novo. Cheguei atrasado no trabalho! Meu chefe que também é carioca, bufava ao me ver entrar na empresa com duas horas de atraso. Perguntou o que houve. Aleguei problema de fuso horário. Não colou e puxei o “Circo de pulgas” de dentro da bolsa, entreguei em suas mãos. Ele folheou, deu uma risadinha de lado. Começou a ler um conto aleatoriamente e ficou no escritório, enquanto eu saia de fininho. Ele ficou lá, sem atender clientes, telefonemas ou fazer outra coisa qualquer. Depois do almoço, me chamou em sua sala. Eu já sabia que ia dançar. Mas, ele só pediu o livro emprestado. Perdi uma venda, mas consegui manter o meu trabalho.

Ficou curioso, né!? “Circo das Pulgas” você encontra na InaLivros. Pode reservar. Ou tentar pegar emprestado o que ficou com o chefe.

 

 

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A descoberta do frio? Pode ser esse título mesmo.

Em São Paulo, com A Descoberta do frioo término de junho, chega o frio. É o inverno. Já era de se esperar. As pessoas começam a vestir roupas, sobre roupas, umas escuras e outras escuríssimas. Tentativa de imitar a península asiática? Com certeza. Falta de criatividade? Pode ser.

Mas criatividade não faltou a Oswaldo de Camargo que beneditinamente trouxe à baila, tal ‘frialgia’ em seu livro: ‘A descoberta do frio’. Autor de uma maestria e criatividade ímpar, que foi me guiando pela Praça Lundaré onde os poetas se encontravam e depararam-se com o frio que arrebatara o malunguinho Josué. Mas esse frio é diferente. Diferente daquele que acomete a todos. Lá, só parava no corpo dos pretos e o que é pior, em pleno verão. O sujeito se tremia, se batia e o frio não saia. De repente, ele sumia. Sumia e ninguém mais via!

E tinham aqueles que não acreditavam na existência do frio. A não ser quem sentiu. Ou quem percebeu que aquele tenebroso frio só acometia parte da população. Médicos riam, autoridades demonstravam o interesse despreocupado de sempre e a polícia vinha fazendo o seu papel como era de se esperar (aqui, a interpretação é minha).

Perto do fim da leitura, baixou em mim a tensão. Tive uma febre monumental. Será que era o frio Oswaldiano saltando as páginas e fazendo mais uma vítima na vida real? Achei que não. Tomei remédio e não passou, tive que me afastar das funções laborais e mais remédio. Nada daquele frio surdo passar. Durante o dia ainda, o corpo não aguentou e cai no sono. Logo vem o sonho com Laudino, Zé Estevão, Carol, o Bispo de Maralinga, todos reunidos na Toca das Ocaias. Acordo assustado e com frio. Vou pegar o friorento livro para terminar a leitura. Num passe de mágica, volto a temperatura normal e aquela coisa me deixa.

E a pergunta que não sai da cabeça. Por queA descoberta do frio não esteve relacionado como uma das leituras na época em que prestei o vestibular? Hoje, só vislumbro uma resposta. Deve ser o frio, deve ser o frio…

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Título? O título pode ser Fela mesmo, cara…

Num bar com um amigo, há alguns anos atrás, mais precisamente na Centralfela - esta vida puta do Brasil. Na verdade não era bem um bar. Aquilo era um pé inchado de quinta categoria. Paredes mal pintadas, cadeiras enferrujadas e o chão meio sujo. Mas um de nossos objetivos ali era a cerveja que estava bem gelada. Já era madrugada, aquela música costumeira desses ambientes. Som no talo e um casal mais pra lá do que pra cá, dançando  alucinada e ‘cambaleantemente’ pela quantidade de álcool que já deviam ter ingerido.

Com esse pano de fundo, discutíamos política e falávamos de música. Muito diversa da que invadia nossos ouvidos. Falamos de tanta coisa, mas me recordo do momento que chegamos ao encontro de Miles Davis e John Coltrane, cabe ressaltar que hei de escrever mais para frente sobre os livros de Ashley Kahn. Nesse momento, o amigo iniciado na religião dos Orixás, os entregou o título de Exús honoráveis da música internacional. Disse ainda que tal encontro deu oportunidade ao sentido. Depois entrou numa viagem de intitular Jimmi Hendrix como um Exú Mirim e a noite foi terminando.

Hoje, fico pensando no que teria falado de Fela Kuti, cantor, saxofonista, letrista, ativista, panfricanista e outras coisas mais, caso eu tivesse conseguido entender suas músicas quando o ouvi pela primeira vez. Com certeza ele também teria baixado naquela mesa para conferir o papo musical. Mas, só agora em 2015 que esse puta livro chega em minhas mãos. Com o auxílio impecável de Carlos Moore que fez sua biografia, que me bateu a vontade de me aproximar de sua música. Então, tá aí! “Fela esta  vida puta”, publicado pela editora Nandyala. Vale a pena ler e depois ouvir, ou ouvir e depois ler, ou até mesmo ler ouvindo Fela.

Biografia escrita em primeira pessoa que te dá a sensação de estar ouvindo Fela conversar contigo. É um trabalho que transmite de forma contundente a indignação de um panafricanista com os mandos e desmandos de governantes preocupados com a manutenção do status quo. Nessa puta vida, Fela expõe suas contradições e a opção que fez pela transformação que queria para a África que não foi bem compreendida em sua época. Com isso, pagou caro por denunciar Estados Marginais que são os legítimos detentores da força.

Bom, poderia ficar falando horas sobre o livro. E vale a pena, mas é melhor você ler. Não Acha? E depois continuamos esse papo.

São Paulo. 25 de maio, 2015.

léo bento

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