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Charles, Carlos ou Lito? Pichón

Hoje, terminei de ler Pichón. Livro instigante com características de um romance policial. Tantas foram minhas angústias ao ter que me afastar de suas páginas para agitar as coisas do dia-a-dia e não terminá-lo de uma só vez. Mas vamos lá! A vontade era ter uma máquina do tempo para acompanhar Carlos Moore em muitas das passagens de sua vida. Não consegui isso. Mas o livro me proporcionou uma aproximação tamanha que me vi moleque em Lugarenho. Corria de um lado para o outro, admirando os Jorocóns. Queria pular as encrencas com a mãe, apanhar não é nada bom. Ouvi os tambores dos Clubes Negros e senti a emoção de viajar de avião pela primeira vez, direto para Nova York. Lá, a loucura americana e as facilidades subiram à cabeça. Sorte ter encontrado uma Livraria Afrocentrada e uma moça. Quem era a moça? Maya Angelou, tá bom pra você? Pra mim, não. Se eu continuar terei de falar de vários outros encontros, que Carlos foi proporcionando, Malcolm X, Kwame Ture, Abdias do Nascimento, Aimé Cesaire, Fela Kuti e tantos outros. Não nessa ordem e nem todos na terra de Tio Sam. Mas se quiser saber mais, sobre esses encontros quase inverossímeis. Como se deu o retorno à Cuba, a retirada estratégica para não virar comida de Pichón, opa – urubu, a coragem desse homem de sorriso e gestos carregados de ternura. Mas firme ao defender suas convicções. Faça como eu e tantos outros estão fazendo. Leia o livro. Simples assim!

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Lançamento da autobiografia de Carlos Moore – Pichón

Essa semana, a InaLivros promove, em parceria com o Terça Afro,  um grande evento na Zona Norte de São Paulo: o lançamento de Pichón – a autobiografia de Carlos Moore.

O projeto Terça Afro, em Agosto, completa 3 anos de existência. Dentro deste período muitas foram as rodas, as circularidades e possibilidades de troca que foi propiciado nos mais diferentes e marcantes encontros, sempre com um eixo principal: o universo negro!

capapichonE para um mês tão especial, a Livraria Itinerante – InaLivros e a Nandyala Editora se juntam a eles para celebrar esse momento especial com um grande evento. Em um momento especial e comemorativo,  mantendo o eixo central (o universo negro) do projeto, teremos a imensa honra de convidar a todos para  o lançamento de Pichón, livro autobiográfico de Carlos Moore  importante etnólogo, cientista político e uma das grandes referências modernas da luta antirracista.

Em meio à sua trajetória, Carlos Moore nos relata memórias de Malcolm X, Alex Haley,  Abdias do Nascimento, Miriam Makeba, Fela Kuti, Lélia Gonzalez, Aimé Cesairé, Cheikh Anta Diop e tantas outras referências que serão evocadas em nossa roda!

O livro será vendido pela InaLivros, com o preço de R$40,00 e aceitaremos cartões de crédito e débito (exceto bandeira ELO).  Outros livros de autoria de Carlos Moore também estarão disponíveis.

Convidamos a todos para chegarem e celebramos este momento com o melhor que a Terça Afro pode propor: encontro, diálogo, troca e vivência negra!! A InaLivros tem a honra de fazer parte dessa história!

A discotecagem do evento ficará por conta de Whellder Guelewar, com o melhor do afrobeat e muito Fela Kuti pra entrarmos no clima!

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Dia 20/08 a partir das 19hrs.
Local: Instituto Cultural Samba Autêntico
Endereço: Rua Icatuaçu, 157.

Seguem as possibilidades de trajeto…

COMO CHEGAR!

Metrô Barra Funda: Lotação Jardim Tereza
Referência: Avenida João Paulo x Av. Itaberaba

Metrô Santana: Ônibus Term. Cachoeirinha 971X, descer ultimo ponto da Av. Mirim e pegar a lotação Pirituba 8199/10
Referência: Av. Itaberaba x Av. João Paulo

Metrô Santana: Ônibus Vila Penteado 971M
Referência: Av. João Paulo x Av. Itaberaba

Terminal Cachoeirinha: Lotação Pirituba 8199/10
Referência: Av. Itaberaba x Av. João Paulo

Terminal Cachoeirinha: Ônibus Vila Penteado 971M
Referência: Av. João Paulo x Av. Itaberaba

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Título? O título pode ser Fela mesmo, cara…

Num bar com um amigo, há alguns anos atrás, mais precisamente na Centralfela - esta vida puta do Brasil. Na verdade não era bem um bar. Aquilo era um pé inchado de quinta categoria. Paredes mal pintadas, cadeiras enferrujadas e o chão meio sujo. Mas um de nossos objetivos ali era a cerveja que estava bem gelada. Já era madrugada, aquela música costumeira desses ambientes. Som no talo e um casal mais pra lá do que pra cá, dançando  alucinada e ‘cambaleantemente’ pela quantidade de álcool que já deviam ter ingerido.

Com esse pano de fundo, discutíamos política e falávamos de música. Muito diversa da que invadia nossos ouvidos. Falamos de tanta coisa, mas me recordo do momento que chegamos ao encontro de Miles Davis e John Coltrane, cabe ressaltar que hei de escrever mais para frente sobre os livros de Ashley Kahn. Nesse momento, o amigo iniciado na religião dos Orixás, os entregou o título de Exús honoráveis da música internacional. Disse ainda que tal encontro deu oportunidade ao sentido. Depois entrou numa viagem de intitular Jimmi Hendrix como um Exú Mirim e a noite foi terminando.

Hoje, fico pensando no que teria falado de Fela Kuti, cantor, saxofonista, letrista, ativista, panfricanista e outras coisas mais, caso eu tivesse conseguido entender suas músicas quando o ouvi pela primeira vez. Com certeza ele também teria baixado naquela mesa para conferir o papo musical. Mas, só agora em 2015 que esse puta livro chega em minhas mãos. Com o auxílio impecável de Carlos Moore que fez sua biografia, que me bateu a vontade de me aproximar de sua música. Então, tá aí! “Fela esta  vida puta”, publicado pela editora Nandyala. Vale a pena ler e depois ouvir, ou ouvir e depois ler, ou até mesmo ler ouvindo Fela.

Biografia escrita em primeira pessoa que te dá a sensação de estar ouvindo Fela conversar contigo. É um trabalho que transmite de forma contundente a indignação de um panafricanista com os mandos e desmandos de governantes preocupados com a manutenção do status quo. Nessa puta vida, Fela expõe suas contradições e a opção que fez pela transformação que queria para a África que não foi bem compreendida em sua época. Com isso, pagou caro por denunciar Estados Marginais que são os legítimos detentores da força.

Bom, poderia ficar falando horas sobre o livro. E vale a pena, mas é melhor você ler. Não Acha? E depois continuamos esse papo.

São Paulo. 25 de maio, 2015.

léo bento

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