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Feliz Ano Novo – dicas para iniciar o hábito de ler em 2017

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Um novo ano começa e a gente sempre promete melhorar nossos hábitos, não é mesmo?  Vamos te auxiliar a se tornar uma leitora mais feliz e orgulhosa em 2017. Para isso, trazemos 4 dicas para estimular o hábito de ler e atingir seus objetivos com muito mais alegria e qualidade. Aproveite a virada do ano, já que tudo se renova ‘de novo’ e acompanhe as nossas dicas para organizar suas leituras em 2017! O método consiste em 4 etapas: planejar, pôr em prática, apreciar suas conquistas e fortalecer o hábito. Como um exemplo vale mais que palavras soltas, eu mesmo elaborei e experimentei todas essas dicas. Ao seguir todos os passos, suas possibilidades de atingir sucesso em suas leituras será ainda maior. Preparadas? Então, vamos começar!

1) Planejar

Sem um planejamento definido não chegamos a lugar nenhum. Então, a primeira dica é: se preparar para traçar seus objetivos. Vamos lá, pegue um caderninho (ele irá te acompanhar ao longo do ano) e rabisque três gêneros que mais gosta. Se você ainda não sabe que tipo de assuntos te atrai mais nos livros, pense nos tipos de filmes que você gosta de assistir. Pode ser um bom caminho para descobrir seu gosto literário. Depois, pegue a lista e enumere em ordem crescente a partir de sua preferência. Por exemplo, eu listei assim: Literatura Africana, Contos e Quadrinhos. E minha enumeração ficou dessa forma: 1) Contos ; 2) Literatura Africana; 3) Quadrinhos.

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meu caderninho

Feito isso você irá pesquisar sobre autoras, autores e livros dos gêneros listados. No blog da Ina você pode ver algumas dicas de livros e autores aqui e ali.  Você também pode pedir dicas para amigos que gostam de ler. Lembre-se: você precisa estar motivada e confortável com as suas escolhas de leitura. Então o processo de escolha será a partir de suas afinidades, não importa se o autor é mais ou menos famoso ou se  o livro é um clássico ou não.  Escolha  dois títulos de cada gênero. Dessa forma, teremos a meta de devorar um livro por mês, uma quantidade bem razoável. Nesse método estabelecemos metas de 6 meses para que o prazo não seja muito longo e fique mais fácil manter o foco. Dessa forma, com esse planejamento temos material suficiente até junho.

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listagem de gêneros

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enumerando

hábito de ler - caderno com anotações dos livros

títulos

Se você não tem o hábito de ler, seja realista. Não adianta escolher livros enormes ou obras com linguagem totalmente diferente da sua e que vá exigir um esforço adicional. Comece pelo que for mais prático e confortável, para diminuir as chances de abandonar o projeto no meio do caminho.

2) Pôr em prática

Agora que você já deu os primeiros passos que foram listar, enumerar e pesquisar, você irá adquirir (ou pegar emprestado) os livros. Feito isso, será necessário estabelecer uma meta diária de leitura. Vamos começar com 30 minutos por dia? Aí você vai dizer que não tem tempo, que é difícil, que seu dia já é muito corrido e ocupado. E eu irei mostrar que tem tempo sim! Vamos lá, sabe aquele momento em que você está despertando e ao invés de levantar, pega o celular para olhar o What’sApp, Messenger e Facebook? Pois é. Você irá pegar o livro que estará em sua cabeceira e ler durante 30 minutos. “Ah, não faço nada disso!” Tudo bem.  Então, você irá se estender no banheiro durante mais alguns minutos para concluir a leitura de um trecho do livro e dar aquela folheada antes de encarar mais uma jornada. Se te causa náuseas essa possibilidade, poderá ler no percurso para o trabalho. Dentro do ônibus, no metrô ou no trem há uma profusão de sons, é verdade. Então, tenha sempre um fone de ouvido para aquele jazz instrumental te ajudar a percorrer as linhas que as autoras e autores prepararam para ti. Se não gosta de música, coloque o fone assim mesmo, pelo menos abafa o som externo. Ainda tem o tempo que a gente gasta em filas ao longo do dia, se chateando pela demora e pelo papo furado a sua volta, que pode ser melhor aproveitado se você ler um pouquinho enquanto espera. Antes de dormir… também pode ser uma boa opção.  Ah, e se tiver tempo de sobra e disponibilidade, destine mais do que meia hora para a leitura. O importante aqui, é que a leitura seja diária para consolidar o hábito de ler.

Com os gêneros enumerados em ordem de preferência e os títulos listados, comece com o seu gênero preferido. Depois, vá para o primeiro título do próximo gênero e dessa forma poderá ir alternando os gêneros ao longo do tempo.  Minha sugestão pra quem está começando, é que leia um livro de cada vez e que se esforce para terminar a leitura. Procure não abandonar o livro pela metade. Toda história precisa de um tempo para pegar o ritmo. Dê uma chance ao livro (e ao autor) te mostrar que aquela é uma boa história.

Lembra daquele caderninho que irá te acompanhar ao longo dessa nossa empreitada? Então, ele servirá para que antes de dormir, anote a data e faça um breve resumo do que leu, isso será importante para guardar uma memória sobre a sua leitura. No meu caso, faço isso diariamente, mas se ainda está criando o hábito, pode fazer uma vez por semana. Mas é importante ter o compromisso de definir um dia da semana para aquele resumo maroto. Vale escrever as passagens que te marcaram na leitura ou mesmo suas impressões e sentimentos diante do que você está lendo. O importante é fazer um registro desse processo. Outra dica para fazer esses registros é gravar um áudio no celular sempre que quiser se lembrar de algo durante a leitura ou fazer a leitura em voz alta de algum trecho que você queira se lembrar.

3) Apreciar suas conquistas

Nenhum planejamento pode ser bem sucedido se a gente não acompanha a evolução dele! Nesse planejamento, nossa primeira apreciação é feita no finalzinho de março. Por que março? Para não colocar tudo a perder se o plano inicial não estiver adequado à sua realidade. Simples assim. No final de março, você já terá lido 3 livros. Então, iremos identificar se a leitura está sendo prazerosa e produtiva. Se sim, vamos dar continuidade ao que foi planejado até junho.

Caso contrário, paramos para refazer o planejamento. Fiquem atentas, em março teremos outra postagem sobre a reelaboração do planejamento iniciado em janeiro. O importante é não desistir por conta dos imprevistos!

4) Fortaleça o hábito de ler

Um hábito só se consolida se a gente se compromete a mantê-lo. Por isso, é fundamental que você compartilhe o seu prazer de ler com outras pessoas. Procure em seu rol de amizades presenciais e/ou nas redes sociais pessoas que também gostam de boa leitura para dialogar sobre o que estão lendo no momento. Pode ser presencial num Café ou nos “Happy Hours” da vida. Trocar nos traz a capacidade de recriar e atingir outras possibilidades de leitura que sozinhas não conseguimos atingir. Então, deixo como dica e que será melhor explorado em outros posts ao longo do ano, a construção de um clube de leitura presencial e on-line com foco na literatura negra.

Seguindo essas dicas você conseguirá ler cada vez mais e melhor.

Em nome da família InaLivros desejo um ótimo 2017, com muita luz,tranquilidade, energias positivas e ótimas leituras!

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Autora do Mês – Maio – Cristiane Sobral

A InaLivros começa esse mês uma série de conversas sobre obras e autores. Vamos conhecer melhor o processo de criação de determinadas obras. A escolhida do  mês de maio foi a autora Cristiane Sobral, autora do livro Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção, obra escolhida para o clube de leitura Leia Mulheres Negras, realizado pela página do facebook Leia Mulheres Negras com o apoio da InaLivros.

Lu Bento: Cristiane, quando nós da InaLivros pensamos este espaço, o Quilombo Literário, a motivação inicial foi de busca por uma literatura que falasse das questões vividas pelas população negra, uma literatura que nos colocasse em posição de protagonismo e que se apresentasse ao mundo a partir de um ponto de vista afrocentrado, ou de um ponto de vista de um pessoa negra. Pra gente, isso se reflete em uma busca por uma literatura negra. Então eu vou começar com a pergunta que a gente sempre faz para os nossos convidados: Existe um literatura negra? O que é literatura negra pra você? IMG_8032

Cristiane Sobral: Não afirmo apenas uma literatura negra, em minha opinião a literatura negra tem diferentes contornos a partir de cada escritor, embora os elementos, as ferramentas de escritas sejam coincidentes, existe literatura negra, sim, há tempos. Seu marco oficial no Brasil aponta para o século XIX. Vários estudiosos da literatura, como o Prof. Dr. Eduardo de Assis Duarte, da UFMG tem traçado essa linha do tempo e apresentado grandes expoentes desse nicho de produção.

O que é literatura negra na minha concepção?

Uma literatura interessada na subjetividade negra, nas suas memórias, histórias, tradições, engajada na contação de histórias da negritude e sua ancestralidade. Nessa literatura, os escritores negros falam de si, desafiando as visões estereotipadas apresentadas pela literatura “universal”, no que se refere à representação dos personagens negros.
Na literatura negra, que pode ser encontrada com outros nomes como afro-brasileira, afro-descendente, negro-brasileira, só para citar alguns, existimos além do escravagismo e do seu legado no Brasil: Somos seres humanos, diversos, Não existe um protocolo para ser africano ou afro-brasileiro, nossa identidade é múltipla, em construção contínua, amamos, lutamos, pensamos, além da diáspora negra, com a nossa mitologia, ciência, religião, temos o direito de contar as nossas versões diante da “história única”.
Não basta ser negro para produzir literatura negra, há um compromisso estético e político nessa escrita, existem escolhas conscientes do autor, no sentido da intencionalidade da obra.

Lu Bento: Você já tem uma trajetória de escritora com textos seus publicados no Cadernos Negros, livros de poemas, e o “Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção” foi seu primeiro livro de contos individual publicado. “Pixaim”, o conto que abre este livro, já havia sido publicado nos Cadernos Negros. Quais outros contos já haviam sido publicados? Você já tinha o esboço dessa estruturação do livro, ou você foi percebendo as ligações entre os textos ao longo do processo de criação?

Espelhos
Cristiane: Os outros contos que já tinham sido publicados são: “Garoto de plástico”, “Cauterização”, “A Discórdia do Meio”, “O Buraco Negro”, “Bife com Batata Frita”, e “O Último Ensaio Antes da Estreia”. A estruturação do livro foi totalmente intencional e programada.
Quando resolvi publicar um livro de contos, comecei a tramar um tecido que fosse combinado, pensando nos diálogos possíveis entre os textos e temáticas.

Lu Bento:  O livro “Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção” nos provoca a pensar sobre identidade, sobre visibilidade da população negra e principalmente sobre relações. É um livro que trabalha o tempo todo com as noções de ver e ver visto, em diferentes níveis. A própria ideia de espelhos que perpassa toda a obra nos guiando para uma leitura reflexiva, partindo de uma visão-reflexão sobre à aparência e de questões relacionadas à estéticas, passando por uma visão-reflexão de temas relacionados a afetos, até uma visão-reflexão sobre questões psicológicas e existenciais. O que te motivou a escrever sobre esses temas?

Cristiane: A subjetividade negra, o corpo negro, são temas que têm sido pouco abordados e de forma estereotipada em nossa literatura, as nossas obras têm raros exemplos de vivências das personagens negras fora do contexto da escravatura, humanizadas, com experiências e voz. Quero saber mais sobre a negritude além do contexto do escravagismo, quem são essas pessoas, onde estão, os seus sonhos e desafios… Também as lacunas na nossa ancestralidade, os antepassados que não conhecemos, nossas raízes apagadas, a diáspora é um grande mar com muito conteúdo, muita riqueza submersa.
Isso me motiva e fomenta a minha escrita.

Lu Bento: Os nomes dos seus personagens se repetem em alguns contos e são muito contextualizados. Os Augustos negros, as meninas Ioli, as mulheres Socorros que realmente precisam de ajuda, a Celeste, o Maurício, a Olga… São nomes especiais pra você de alguma forma? Essa é uma preocupação sua ao escrever, nomear as personagens de modo que demonstre através do nome um pouco da personalidade delas?

Cristiane: Sim, não escolho nomes ao acaso, na verdade os nomes são geradores e intensificam a construção das personagens, levo muito tempo para escolher os nomes, não concluo um texto enquanto não acho um nome adequado. Sim, são nomes especiais, personalidades que dão vida à ficção.

Lu Bento: A primeira parte, “Espelhos”, fala muito sobre negritude e a falta de reconhecimento dessa negritude. Em “Pixaim” a menina tem sua negritude camuflada pelo alisamento dos cabelos, mesmo contra seu desejo. Em “Garoto de Plástico” e “Cauterização”, as personagens estão presas a um modelo embranquecido de existência até conseguirem olhar para si mesmos e perceberem sua negritude. Em “Maria Clara” a menina tem a sua negritude negada para ser aceita como filha de um casal branco. Em “A Discórdia do Meio” há uma relação tensionada entre irmão pelo fato de uma ser negra e o outro ser mestiço e ambos terem que lidar com essas identidades raciais. Enfim, gostaria muito que você falasse brevemente sobre os textos desta parte do livro.

Cristiane: Nessa parte do livro, as identidades estão em confronto com a realidade cotidiana do enfrentamento do racismo em nosso país, cada um com suas escolhas, perspectivas, mas sempre instigados ao conflito, com a possibilidade de ruptura. Quanto mais a consciência racial e o autoconhecimento, maior o empoderamento das personagens.

Os personagens têm muitos desafios alguns tomaram um caminho diferente conforme se deu o processo de escrita, percebi que isso faz sentido, considerando o meu interesse em construir histórias além dos maniqueísmos de bem e mal. É preciso ouvir a voz dos personagens no processo de composição literária e exercitar o desapego. Em certas passagens, a realidade é hiper realista, surrealista, beira o absurdo, em muitos momentos senti a necessidade de romper algumas convenções que extrapolam o realismo, para que os confrontos pudessem existir e provocar o leitor.

Lu Bento: A segunda parte, “Miradouros”, creio que os encontros e desencontros perpassam todos os textos. Eles nos convidam a refletir sobre desejos e sobre transformações em modos de ver a vida e as relações interpessoais. Os protagonistas passam por situações que lhes possibilitam uma mudança de atitude diante de uma situação. Qual era a sua expectativa com os textos desta parte?

Cristiane: Miradouro é um local de onde se pode enxergar, mirar, um horizonte largo. Nessa parte do livro, os personagens vão se resolvendo no percurso. São convidados a nascer. Nos três últimos contos, há certa névoa no horizonte, é difícil para cada um dos protagonistas, que parecem perdidos, a visualização de saídas, mas eles mergulham em si mesmos. Quando parecem derrotados, encontram o seu próprio caminho. Gosto muito dos mistérios que envolvem as histórias das pessoas, seus paradoxos, as especificidades que compõe cada indivíduo, sua sombra e sua luz.

Lu Bento: A terceira parte, “Dialéticas da Percepção” tem seu foco na morte e na solidão. Todos os contos tangenciam esse tema de uma maneira muito intensa, e trabalham de alguma forma o olhar para si mesmo. Eu destaco especificamente no último texto, a fala do personagem Pedro:”Se você se enxerga diante de um espelho negro, aprenderá a conviver com as suas sombras, com as suas luzes, alterando a sua percepção.”. O que você tem a falar sobre essa terceira parte do livro?

Cristiane: Esse último portal é um caminho de dor, sentimento inevitável diante da invisibilidade do negro nesse país, da exclusão social, da solidão da mulher negra, da exploração do corpo do homem negro, da sua sexualidade, do capitalismo e dos seus mecanismos de padronização dos sujeitos. Mas a morte e a dor também são reveladas além do pensamento judaico cristão, a morte dos sujeitos aí, também tem seu desabafo, nem sempre como uma rendição diante das dificuldades. Alguns contos permitem a reconstrução, a resiliência diante da dor, mas outros não. A tridimensionalidade humana é destacada, sem maniqueísmos de mal e bem.

Lu Bento:  O livro está dividido em 3 partes, cada uma com 7 contos. Acredito que essa estruturação não foi por acaso, e gostaria que você falasse um pouco sobre isso. O número 7 me remeteu imediatamente a ideia de 7 anos de azar, relacionadas a quebra do espelho. Em cada uma das partes há um texto que provoca um quebra em relação aos demais. Na primeira parte, creio que o texto “O buraco negro” traz essa quebra ao falar de uma depressão e sua superação. Na segunda, “Homem bom entregador de pizza” talvez exerça essa função e na terceira, “Espelho negro” fala de uma mudança da perspectiva de reflexão, da aparência/estética para os reflexos de espelhos negros, que refletem memórias e ancestralidade. Essa é uma visão pessoal minha. Você pensou em alguma dessas coisas eu escolher essa estrutura para o livro?
Tudo nesse livro foi milimetricamente pensado. 21 contos, que são reduzidos na numerologia ao número 3, número chave no processo da criatividade e da comunicação. Novamente temos o 3, pois o livro tem três capítulos, três portais que vão além da dualidade do mal e do bem, eu queria muito propor isso.

Cristiane: Quanto ao número 7, ele fecha e abre muitos ciclos, sete dias da semana, sete cores do arco-íris, sete orixás na umbanda, cada período lunar tem sete dias, enfim. Eu quis trabalhar com ciclos, sete contos, em três portais, totalizando 21 contos, o três novamente, símbolo mágico da comunicação, corpo, mente e espírito. Três é um número ótimo pra quem quer trocar ideias e escrevi o livro considerando essas perspectivas.

Outro aspecto. Os sete contos foram agrupados intencionalmente, o primeiro portal, Espelhos, aborda os desafios da identidade, o segundo, Miradouros, revela identidades em confronto com a perspectiva de mudança, seus desafios e no terceiro portal, a morte é um caminho para a vida, para a transformação. A morte também revela a necessidade do momento limite, no qual precisamos mudar o estado das coisas. Em todos os contos aparece a palavra espelho, isso foi proposital.

Lu Bento: Meu conto favorito no livro é Olga. A construção complexa da personagem e a sua reviravolta me chamaram muita atenção. Você tem um conto favorito? Ou um conto que foi mais tranquilo de escrever, ou que você gostaria de destacar de alguma forma?

Cristiane: Não tenho um conto favorito, é difícil escolher. Cada um tem um aspecto que me fascina, pelo bem ou pelo mal, além disso, me provocam, são pessoas que eu gostaria muito de encontrar e conhecer, isso me desafia a escrever, a contação de histórias, a invenção. Olga por exemplo, que loucura, eu não sabia onde ela poderia chegar, tão inesperada, amo a sua impulsividade e o desapego diante das situações. Alguns personagens me incomodam também, outros provocam profunda reflexão. Depois que escrevo procuro me distanciar e ler novamente, como leitora. É sempre um aprendizado.

Lu Bento: Vamos a mais um pergunta padrão da InaLivros: Nós queremos muito estimular novos escritores. Desde quando a gente começou a conversar com autores, quase sempre um outro escritor teve um papel fundamental no incentivo para a publicação. Quem te incentivou, te encorajou a começar a publicar? Ou a continuar publicando, ou a publicar livros autorais e não só permanecer publicando em coletâneas?

Cristiane: Minha mãe Marina, foi uma grande incentivadora, professora de formação e dona de casa por decisão. Era muito exigente com as tarefas escolares e eu, sempre interessada pelas letras, a ponto de deixar as bonecas de lado, fui instigada por ela a respeitar a língua portuguesa e a me colocar diante dela como eterna aprendiz, sempre querendo mais, lendo mais, indo mais fundo. Meu pai, ávido leitor e cinéfilo, despertou o amor pelas histórias nos filmes, de certa forma a minha preocupação com a construção de imagens vem daí, porque assisti muitos filmes e ouvi muita música boa em casa. A música me deu o sentido do ritmo e da sua importância na construção tanto da poesia, quanto da prosa. Mas eu tinha um incômodo no que se refere a representação das personagens negras, o Quilombhoje foi muito importante pois conheci autores produzindo em outra dimensão, com outro ponto de vista no que se refere à construção da subjetividade negra na literatura. Com o grupo comecei a publicar, em 2002, incentivada por uma amiga angolana, Alexandra Aparício, historiadora, Diretora da Biblioteca Nacional na altura, intelectual e mulher feminista aguerrida, com quem compartilhava meus escritos, guardados há anos, a sete chaves. Quando comecei a publicar tive muito retorno do público leitor, isso me instigou muito a continuar escrevendo, lendo, refazendo a minha escrita.

Lu Bento:  Seus textos falam muito sobre a solidão da mulher negra. São muitas mulheres solitárias ou com relacionamentos problemáticos. Qual é a importância de ficcionalizar esse tema que é tão frequente na realidade das mulheres negras?

Cristiane: Sim, precisamos falar sobre as nossas dores, amores, também sobre as nossas vitórias. Vivemos um longo período de silenciamento, não havia tempo para falar, os corpos das mulheres negras estiveram sempre a serviço de outrem. E a dor é apenas um dos aspectos, quero ir mais fundo, no que se refere à subjetividade da mulher negra, precisamos aprender a gostar mais de nós mesmas, conversar, ficcionalizar, inventar e reinventar nossas vidas, a literatura é um portal. Existem muitos cenários de invenção para as mulheres negras, isso me interessa. Continuo atenta.

Lu Bento:Você já está preparando um novo livro? Você já publicou poesias e contos. Pensa em escrever um romance?

Cristiane: Estou preparando um livro de poesia, está quase pronto, pra esse ano ainda. Também estou finalizando a 3ª edição do “Não vou mais lavar os pratos”, revisada e com poesias novas. Sairá em 2016 também, junho ou julho. O livro de poesia “Só por hoje vou deixar o meu cabelo em paz, está com a 1ª edição no fim, demanda nova edição com urgência. Tenho duas peças de teatro prontas, não sei se tenho pernas pra publicar esse ano, mas quero negociar com outras editoras, porque ainda cuido de toda essa demanda de publicação na minha editora atual e quero ter mais tempo pra me dedicar à escrita. Também tenho dois infantis em fase de finalização. Pretendo lançar um romance há tempos. Para o romance, quero dedicar mais tempo, não tenho previsões, quero destruir ainda muito papel anteponcia_vicêncios de chegar ao ponto da publicação.

Lu Bento: Pra fechar, que livro você acha que todo mundo deveria ler, e porque?
Cristiane Sobral: Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo. Leiam e descubram sua potência. Contundente, avassalador, toca no fundo da alma, onde devem adentrar as grandes obras.

Lu Bento: Muito obrigada Cristiane!

 


Espelhos, MIradouros e Dialéticas da PercepçãoEspelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção

Cristiane Sobral

Ed. Dulcina

2011

 Compre aqui: InaLivros

 

 


Cristiane Sobral é escritora, atriz e pesquisadora, já publicou os livros Não vou mais lavar os pratos (poemas, 2011), Só por hoje vou deixar meu cabelo em paz (poemas, 2014), Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção (contos, 2011) e participou de diversas antologias. Para saber mais sobre a autora e suas obras, acesse o blog: http://cristianesobral.blogspot.com.br

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Desafio Literário da InaLivros

Olá pessoal!

A InaLivros aproveita o início do ano para lançar um desafio. Mas, não é um desafio qualquer. A ideia é que ao longo do ano nós possamos interagir sobre o que estamos lendo e indicar livros de acordo com determinadas classificações.

Nem sempre temos condições de ler dez livros em um ano, de qualquer forma, alguns títulos podem atender mais de uma categoria. Está lançado o desafio!

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Escrevam nos comentários a conclusão de cada desafio apontando o título e a categoria.

Aproveitem!

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Lançamento do livro Quando me descobri negra, de Bianca Santana

Neusa Sadescobri negra4ntos Sousa já dizia em seu livro “Tornar-se Negro” que reconhecer e assumir a nossa identidade negra é algo que depende de um processo, não é apenas a cor da pele que define a nossa negritude.  Bianca Santana, jornalista e professora,  nos brinda com o livro “Quando Me Descobri Negra”, contando exatamente o processo de descobertas e experiências vividas por ela ao reconhecer sua identidade.

Um livro que fala sobre identidade negra e feminina, sobre questões que nos são tão próximas  e que em muitos momentos parece se tratar da nossa própria história de vida. Com contos fortes e concisos, Bianca Santana vai descrevendo a trajetória de mulher negra na sociedade brasileira.

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Lançamento

A InaLivros estará presente no lançamento da obra “Quando Me Descobri Negra”. O evento será promovido pela SESI-SP Editora, Casa de Lua e pela própria autora, contará com o apoio da InaLivros nas vendas e com uma edição aberta do Círculo de Mulheres Negras. Haverá, também, uma roda de conversa entre mulheres sobre identidade, negritude e racismo.

Quer participar desse evento e de quebra ainda voltar pra casa com um livro autografado pela autora? Então, se liga aí:

quando me descobri negra

Data: 11/11

Horário: 20h

Endereço: Rua Engenheiro Francisco Azevedo, 216, 05030-010 São Paulo – Casa de Lua

Como chegar: A Casa de Lua fica a 10 minutos a pé do Terminal Vila Madalena, próxima à Av. Pompéia.

Para saber mais e participar

O livro já se desdobrou em outros projetos. No site  Quando Me Descobri Negra, estão publicados descobri negra2textos da coletânea de Bianca Santana, ilustrado por Mateu Velasco, editado por Renata Nakano e há espaço para que as leitoras e leitores enviem seus próprios relatos de casos de racismo e dos seus próprios processos de reconhecimento da identidade negra.

Além disso, há a página do facebook onde é possível encontrar mais relatos da autora, vídeos de pessoas lendo trechos do livro e outras notícias relacionadas à descoberta da negritude e a casos de racismo.

E pra entrar no clima do lançamento, o evento no facebook traz as últimas notícias.

 

Para adquirir o seu exemplar clique aqui.

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Novidades na InaLivros #outubro

A InaLivros está com novidades no catálogo! Acabamos de firmar parcerias com a Ciclo Contínuo Editora, Coletivo Mjiba e Ogum’s Toques Negros. Se liga nos títulos:

 

MUITO COMO UM REIFábio Mandingo

muito como um rei - contos

Livro de contos do autor Fábio Mandingo, uma das vozes mais promissoras da  literatura negra baiana, é o terceiro livro do autor.

 

 

 

 

 

 

 

ÁGUAS DA CABAÇAElizandra Souza

águas da cabaça - poesiaO livro da jornalista e poeta Elizandra Souza trás a  leveza e firmeza do feminino. Principalmente da mulher negra.   Com ilustrações de Salamanda Gonçalves e Renata Felinto, a obra faz parte do projeto Mjiba – Jovens Mulheres Negras em Ação. 

 

 

 

 

 

 

 

TERRA FÉRTILJenyffer Nascimento

2015-10-30 13.57.53

Terra Fértil é o primeiro livro de Jenyffer Nascimento,         escritora pernambucana negra e feminista. Essa obra de poesias é mais uma realização do Coletivo Mjiba.

 

 

 

 

 

 

PRETEXTOS DE MULHERES NEGRASVárias autoras

Orgs. Elizandra Souza e Carmen Faustino

pretextos de mulheres negras - poesia

Coletânea de textos poéticos de 22 mulheres negras periféricas. O livro é uma rica troca de experiências promovida pelo Coletivo Mjiba.

 

 

 

 

 

 

 

CORRENTEZAS E OUTROS ESTUDOS MARINHOS – Lívia Natália

2015-10-30 13.51.51

Novo livro da poeta baiana Livia Natalia, professora doutora em  Teorias e Crítica da Literatura e da Cultura na Universidade Federal da Bahia.


 

 

 

 

 

 

Essas são as novidades deste mês! Todos esses livros estarão disponíveis na nossa loja virtual e na nossa banca durante os eventos. Quer saber onde estaremos na próxima semana? Clica na nossa agenda!

 

 

 

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Lançamento da autobiografia de Carlos Moore – Pichón

Essa semana, a InaLivros promove, em parceria com o Terça Afro,  um grande evento na Zona Norte de São Paulo: o lançamento de Pichón – a autobiografia de Carlos Moore.

O projeto Terça Afro, em Agosto, completa 3 anos de existência. Dentro deste período muitas foram as rodas, as circularidades e possibilidades de troca que foi propiciado nos mais diferentes e marcantes encontros, sempre com um eixo principal: o universo negro!

capapichonE para um mês tão especial, a Livraria Itinerante – InaLivros e a Nandyala Editora se juntam a eles para celebrar esse momento especial com um grande evento. Em um momento especial e comemorativo,  mantendo o eixo central (o universo negro) do projeto, teremos a imensa honra de convidar a todos para  o lançamento de Pichón, livro autobiográfico de Carlos Moore  importante etnólogo, cientista político e uma das grandes referências modernas da luta antirracista.

Em meio à sua trajetória, Carlos Moore nos relata memórias de Malcolm X, Alex Haley,  Abdias do Nascimento, Miriam Makeba, Fela Kuti, Lélia Gonzalez, Aimé Cesairé, Cheikh Anta Diop e tantas outras referências que serão evocadas em nossa roda!

O livro será vendido pela InaLivros, com o preço de R$40,00 e aceitaremos cartões de crédito e débito (exceto bandeira ELO).  Outros livros de autoria de Carlos Moore também estarão disponíveis.

Convidamos a todos para chegarem e celebramos este momento com o melhor que a Terça Afro pode propor: encontro, diálogo, troca e vivência negra!! A InaLivros tem a honra de fazer parte dessa história!

A discotecagem do evento ficará por conta de Whellder Guelewar, com o melhor do afrobeat e muito Fela Kuti pra entrarmos no clima!

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Dia 20/08 a partir das 19hrs.
Local: Instituto Cultural Samba Autêntico
Endereço: Rua Icatuaçu, 157.

Seguem as possibilidades de trajeto…

COMO CHEGAR!

Metrô Barra Funda: Lotação Jardim Tereza
Referência: Avenida João Paulo x Av. Itaberaba

Metrô Santana: Ônibus Term. Cachoeirinha 971X, descer ultimo ponto da Av. Mirim e pegar a lotação Pirituba 8199/10
Referência: Av. Itaberaba x Av. João Paulo

Metrô Santana: Ônibus Vila Penteado 971M
Referência: Av. João Paulo x Av. Itaberaba

Terminal Cachoeirinha: Lotação Pirituba 8199/10
Referência: Av. Itaberaba x Av. João Paulo

Terminal Cachoeirinha: Ônibus Vila Penteado 971M
Referência: Av. João Paulo x Av. Itaberaba

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